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25 outubro 2009

Praxe sem humilhação e com muita imaginação


É o exemplo de uma universidade no Quebec a mostrar que é possível integrar pessoas sem ter que as humilhar ou usar de falsos poderes de hierarquias estúpidas.

05 dezembro 2008

Maçã com Bicho.....


No passado dia 24, o Tribunal da Relação do Porto condenou o Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros ao pagamento de uma indemnização no valor de € 67 740,67 à Ana Sofia Damião - esta havia sido, em 2002, sujeita a praxes que a levaram a ser a primeira pessoa a levar o tema até aos tribunais.

Pelo caminho, ficaram outras humilhações: desde receber um processo disciplinar igual ao dos seus agressores pela forma "subjectiva excessiva" com que relatou os factos; passando por insultos que se ouviam quando a Ana passava na rua; até ouvir um juiz, no final da fase de inquérito, dizer que ela "sabia ao que ía" e se não queria ser praxada tinha que se declarar "anti-praxe" desde o início; entre outras.

Mas 6 anos depois, abre-se mais uma porta. A porta por onde, finalmente, a Ana pode sair.
A mesma porta pela qual entra a responsabilidade das instituições de ensino superior no que diz respeito a este tema.
Fechar os olhos ao que acontece dentro das escolas ou fingir que se desconhecem os desrespeitos impostos dentro dos seus muros foram as atitudes que a direcção do Instituto Piaget escolheu desde o início - e foram essas atitudes que foram condenadas.

05 junho 2008

A Justiça até pode ter os olhos tapados mas não é cega de todo


É de realçar a frontalidade de Mariano Gago ao pronunciar-se contra as praxes nas universidades e politécnicos.

«O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior prometeu ontem denunciar ao Ministério Público "todos os casos" de praxes envolvendo humilhações ou situações de violência que cheguem ao seu conhecimento, quer as denúncias tenham partido "das vítimas, das instituições ou dos órgãos de comunicação social". Mariano Gago avisou ainda que, entre os factos que serão encaminhados para a Justiça, incluem-se "os crimes de omissão" cometidos pelas universidades e politécnicos que não actuem quando tiverem conhecimento dos casos.»
in Diário de Notícias

22 maio 2008

Maçã com bicho...hã hã...acho eu da praxe !


Uma aluna de primeiro ano – dita "caloira" na hierarquia das "praxes" – da Universidade do Minho foi violada por um colega – "cardeal", na mesma hierarquia – durante a festa da "Queima das fitas".
É mais um caso de violência em contexto de "tradição académica". Não o sendo, as notícias não chamariam "caloira" à vítima e "cardeal" ao violador, nem procurariam comentários da direcção da Escola ou da associação académica. Não o sendo, a própria aluna não diria "nunca desconfiei dele até porque ele é cardeal do curso e tem por dever proteger os caloiros", nem diria que "ainda pensava que se tratava de mais uma praxe".
Este caso é diferente de outros do passado, porque a brutalidade de uma violação sexual choca e é condenável por qualquer pessoa, independentemente do contexto do acto. Também difere por não se ter sucedido em grupo: foi uma decisão individual do "cardeal" (e não das "comissões de praxes") e ocorreu fora do alcance das outras pessoas (e não em situação de "arrebanhamento" onde existem sempre pressões de grupo).
No entanto, tem semelhanças em vários pontos com outros casos tornados públicos, por exemplo, "Ana Santos, de Santarém", "Ana Sofia Damião, de Macedo de Cavaleiros" ou "Diogo Macedo, de Famalicão"; e é por isto que não se pode desligar da relação que tem com a "tradição académica":

- a confiança depositada num colega "superior" acaba por ser defraudada, deixando clara a arbitrariedade das hierarquias entre estudantes (absurdas e inventadas pela "tradição académica", mas supostamente "protectoras");

- a relutância em denunciar o sucedido (denúncia esta que, note-se, não foi feita em Braga) esconde o medo de voltar à escola onde o "cardeal" continuará a "proteger os seus caloiros", e esconde também o receio de dificilmente voltar a frequentar o curso e a escola, aos quais tem todo o direito;

- a reacção da direcção da Escola anuncia que “só abrirá um inquérito quando houver uma queixa formal da vítima”, desresponsabilizando-se uma vez mais. Não porque tenha responsabilidade no sucedido, mas porque ao escolher o caminho da ignorância faz com que uma aluna deixe de ter condições de frequentar a instituição de ensino e possa perder, pelo menos, um ano da sua vida;

- os convívios escolhidos usam o álcool como argumento que justifica a violência (sendo que nenhum tipo de violência pode ser legitimada pelo abuso de álcool), quando, de facto, a origem dessa violência está no facto de esses convívios se basearem nas "tradicionais" hierarquias que conferem diferentes poderes às pessoas que assim "convivem";

- fica mais uma vez provado que na escola e nas suas "tradições", tal como na sociedade, as mulheres são encaradas como "o elo mais fraco", sendo por isso as principais vítimas das discriminações e abusos.

Recusamos o policiamento dos convívios entre estudantes como resposta. Pelo contrário, pensamos que a gravidade deste caso obriga a várias reflexões: por parte de quem acredita que a hierarquia é uma solução legítima para o convívio; por parte da direcção da Escola que tem a obrigação de garantir que esta aluna pode continuar a estudar; por parte da direcção da Escola, do Ministério do Ensino Superior e do Ministério Público, que têm a responsabilidade de não deixar este caso cair no esquecimento.
Não se pode admitir que uma pessoa tenha medo de denunciar uma agressão, nem tão pouco que essa denúncia traga ainda mais obstáculos à sua vida. Este medo e estes obstáculos são transversais a todos os casos conhecidos (e desconhecidos) e terão que acabar um dia.
E esse dia deve ser hoje.

(M.A.T.A. - Comunicado de imprensa. 16 Maio 2008)

05 maio 2007

Visto desta forma......


Praxes algures em Portugal

Prisão de Abu Graib

Pode parecer extrema esta comparação e admito que a é. Tem um propósito chocar, é claro! Mas o choque não será muito maior com o que vemos quotidianamente, e especialmente nesta altura do ano. As semanas académicas espalhadas pelo país são o exemplo de uma sociedade que cresce sem valores e que reproduz o que de pior tem. Reproduz a violência sexista e homofóbica, reproduz o abuso de autoridade das hierarquias, reproduz a alienação que se espelha no consumo abusivo de drogas e álcool, reproduz gerações e gerações de uma estúpida vingança que passa sempre para a geração seguinte e tudo isto perante o olhar cego de uma sociedade que não quer ver e que o enfeita com as ditas "loucuras da juventude". Os pais que recriminam os filh@s durante o ano naquela ou na outra bebedeira de fim-de-semana, saem mais cedo do trabalho e acumulam-se nos passeios para verem @s seus filh@s podres de bêbados rastejarem no Cortejo Académico. As Câmaras Municipais e Governos Civis que não autorizam manifestações de trabalhadores sobem às Tribunas e ficam a ver e a aplaudir estes cenários medievais de humilhação e vergonha pública. As pessoas que facilmente se irritam dentro dos carros e dos autocarros com uma manifestação de estudantes nestes dias aguardam serenamente e sorrindo que a triste procissão passe por eles...
Gostava de saber o que me fariam se irrompesse pelas ruas de uma qualquer cidade com umas dezenas de pessoas a rastejarem de quatro e a obedecerem cegamente às minhas ordens. Será que esperaria a compadecência das forças policiais e d@s transeuntes ???
Duvido !....

Como diz o Sérgio Godinho: "maçã com bicho ah ah acho eu da praxe..."