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23 fevereiro 2010

Fantasporto 2010


Já está nas ruas do Porto e já arrancou ontem no Rivoli.
Para não perderem pitada e para saberem o que por lá passa deixo-vos o link para o blogue da parceria Rascunho e JUP (Jornal Universitário do Porto), onde também escreverei umas coisas e deixarei umas fotografias.... mas só se se portarem mal ;)

28 fevereiro 2009

Palermo Shooting – um ensaio sobre a imagem


Palermo Shooting não é só um filme. Da forma como foi pensado pelo realizador como o fim para o qual foi pensado transformam-no quase automaticamente num filme de culto. Um filme com uma fotografia exemplar pensado quase fotograma por fotograma, sensível ao movimento e com um ritmo lento mas propositado para nos arrastar para a forma como sentimos a passagem do tempo. Os ingredientes estão todos lá e passando pela homenagem até ao ponto do ensaio, as referências para a filosofia inerente ao acto da captação de imagem agiganta-se sobre o público causando um rol de sensações que nos acompanham por muito tempo depois de sair da sala. Bergman e Antonioni são assumidos mas há no filme muito mais. Há Dziga Vertov no Homem por trás da Camera de Filmar, há Barthes na procura do entendimento entre o fotógrafo e o objecto. Há um pouco de nós todos e não foi por acaso que na apresentação do filme Wenders disse que era o primeiro filme interactivo a passar pelo Fantasporto.
A história do filme é simples. Um fotógrafo famoso de renome mundial quer nas artes como na moda, Finn leva uma vida agitada, dorme pouco, o telemóvel nunca pára de tocar e a música dos seus auscultadores são a companhia mais constante e que lhe dão o poder de se isolar completamente do mundo. Na verdade a música é o primeiro tijolo na construção de um mundo só seu que tenta recriar nas fotografias que faz. A verdade fotográfica e a manipulação, o drama do fotógrafo perante a impossibilidade de capturar o momento e a preocupação atenta com o que rodeia caracterizam esta personagem tipo com a qual é fácil, para qualquer fotógrafo, se identificar.
Subitamente, a sua vida fica fora de controlo, uma viagem que o transporta para fora de si mesmo leva Finn a partir e deixar tudo para trás. A sua viagem leva-o de Dusseldorf até Palermo. Aí, vê-se perseguido por um misterioso atirador que o segue com um propósito de vingança.
Sobre o resto, conta-lo seria um spoiler. O melhor conselho é que o vejam atentamente e o interpretem da forma que o realizador nos aconselha: sintam-se atingidos pelo shoot deste filme e interajam com ele.

Também podem ler o artigo e outros mais no especial Fantasporto da Rascunho.net


Palermo Shooting de Wim Wenders



Fotos: Pedro Ferreira

Wim Wenders no Fantasporto. Sobre o filme: completamente sem palavras. Poesia, fotografia, essência e tantas coisas que as palavras não me chegam neste momento...

27 fevereiro 2009

@ Fantasporto: amanhã a não perder...


Sexykiller

Palermo Shooting

26 fevereiro 2009

Hansel & Gretel, um conto fantástico


Um jovem nervoso fala ao telemóvel e tem um acidente de carro. O principio poderia ser uma qualquer banal história de drama. Quando acorda do acidente é conduzido por uma angelical jovem até uma casa onde tudo é demasiado e assustadoramente infantil. Por toda a casa brinquedos, as refeições são sempre doces e quando algo parece correr mal rapidamente é resolvido de forma misteriosa por uma das crianças. Eun-Soo passa todo o filme a tentar fugir daquela casa mágica mas a floresta trá-lo sempre de volta. Nunca se resignando ao que parece ser o seu destino vai confrontando os miúdos com os acontecimentos que se desenrolam quer no tempo do filme quer pela introdução de histórias em subtexto. A morte de todos dos adultos que passam pela casa, os labirintos que se reproduzem da floresta até ao sótão da casa deixam antecipar a trágica história daqueles três irmãos. No fim Eun-Soon percebe que ele próprio é personagem daquela história que salta de um livro infantil para a realidade. Ele próprio herói faz um exercício catártico da sua vida e percebe onde é o seu verdadeiro lugar encontrando assim a sua fuga daquela casa.
Na base deste filme o imaginário dos contos infantis não só de Grimm mas de toda uma estética associada a este tipo de contos. Lim Pil-Seong é o realizador deste filme que conseguiu atrair a critica e ser nomeado como o stand-out coreano deste ano. A sugestão de violência é sempre psicológica contrariando o que são alguns exemplos a que estamos habituados a ver do cinema coreano. São 116 minutos bastante intensos e emocionais com um excelente trabalho de fotografia e uma banda sonora que nos embala transportando-nos para dentro do filme.

Também pode ler e acompanhar no especial Fantasporto da rascunho.net

22 fevereiro 2009

Vanaja - para abrir o apetite

Vanaja – uma história de castas


Pensado como trabalho de conclusão de curso na Universidade de Columbia do realizador Rajnesh Domalpalli Vanaja é a história de uma menina com o mesmo nome a entrar na adolescência. A descobrir o mundo e a descobrir o seu corpo vive numa situação financeira difícil. Carregando a responsabilidade de sustentar o seu pai viuvo, pescador e alcoólico cedo abandona a escola e vai trabalhar para uma senhoria. Encantada com as danças Kuchipudi e com a esperteza de uma menina adulta consegue convencer a sua senhoria a ensina-la musica e a dançar. Quando tudo parecia correr bem é com a entrada do filho da senhoria que tudo complica. Violada e grávida fica à mercê da sua própria sorte contrariando o que lhe tinha sido dito numa leitura de mão. Astuta tenta ir recuperando a parte da sua vida que a faz mais feliz – a dança mas as contrariedades não param e aprisionada pela sua situação social vê a sua tragédia pessoal culminar na morte do pai.
Este filme é um excelente retrato de uma Índia rural e do seu sistema de castas. O argumento faz lembrar dos caracteres de Dickens. A pobre menina acolhida pela família rica é também um grampo de ficção vitoriana. Mas Vanaja vive sempre no momento, crescendo a partir de uma história simples para o complexo, proporciona-nos uma heroína. Vanaja não sendo o típico filme indiano termina de uma maneira muito indiana, confiando na sorte e na fortuna, acreditando que há uma maré nos assuntos dos homens.

Também pode ser lido no especial Fantasporto da Rascunho.net

Walled In – o Grande Arquitecto @ Fantasporto


Walled In, baseado no romance “Os Emparedados” do francês Serge Brussolo, é levado a cena com o realizador Gilles Paquet-Brenner. Um thriller psicológico que conta com a participação de Misha Barton conhecida em Portugal pela sua participação na série de televisão “O.C.”, que desempenha o papel de um recém formada engenheira enviada para a sua primeira demolição sob alçada de uma empresa da sua família. Mas o edifício que lhe calha como primeiro trabalho não é um qualquer. Um prédio enigmático com uma arquitectura fascinante envolto numa história de assassinatos em série em que as vitimas foram emparedadas dentro do próprio edifício. O arquitecto supostamente também encontrado entre as vitimas tratar-se-ia de um génio, visto que nenhum dos seus edifícios teria alguma vez caído resistindo inclusive a terramotos.
O enredo em torno dos segredos de um prédio joga com a sugestão de um mundo aparte. Construído sobre um pântano numa zona remota onde o hotel mais próximo fica a 75 km somos levados à comparação com o mundo egípcio, quer pela ideia do arquitecto, sempre presente na história que é quase figurado como uma espécie de Deus que controla a vida das pessoas que lá vivem mesmo sem uma existência física, quer pelos corredores, quartos e pela entrada do próprio prédio que nos leva através da fotografia e da iluminação para um espaço semelhante ao de uma pirâmide.
Num Fantasporto que inaugurou com um ciclo dedicado à arquitectura de futuro este filme teria tido lá também o seu espaço, não só pelos conceitos de energia e de aproveitamento de energia nas construções mas como pelo papel do rito e do ritual a que o papel do arquitecto está tantas vezes associado.

Também pode ser lido no Especial Fantasporto da Rascunho.net

18 fevereiro 2009

Plympton, ainda mais um pouco nas noites de cinema



Podem ainda assistir a uma entrevista de 22 minutos (parte 1 + parte 2) com Plympton, que foi exibida no programa “One on One” da Al Jazeera (ingl.) no dia 16 de Janeiro de 2009.
É muito boa a entrevista. Uma parte interessante que mostra uma nova maneira de ver as suas criações é quando ele justifica porque faz frame por frame as suas animações, além de contar que se diverte muito a faze-lo, completando: “Os personagens são como os meus bonecos e eu sou como Deus, criando um mundo e controlando o que essas pessoas estão a fazer”.

Plympton, a revolução na animação


Bill Plympton é já um visitante assíduo do Fantasporto, este ano com especial destaque para a edição inédita em Portugal em DVD de algumas das suas obras. A sua última longa metragem “Idiots and Angels” encontra-se em competição na categoria Cinema Fantástico. Este filme de 2008 é tido como o mais negro e satirico de todos os seus filmes e conta com uma banda sonora de luxo: Tom Waits, Moby e Pink Martini são alguns dos nomes que o musicam.
Nunca são demais as vezes que visionamos alguns dos seus trabalhos e destacam-se os seus trabalhos do fim dos anos 80, como as animações: “One of Those Days”, “How to Kiss”, “25 Ways to Quit Smoking” e o famoso “Plymptoons”, altura em que se começa a destacar e a preparar animações financiadas por si próprio. Com a utilização nos seus argumentos de uma linguagem mais adulta, mostrando nudez, violência e revelando o lado “negro” do humor das pessoas, Plympton ajudou a construir uma linguagem que conhecemos hoje nas animações. Desmistificado o preconceito de que animação só serve para entreter crianças abre-se aqui o caminho para o que são hoje as grandes produções de séries como os Simpsons ou o American Dad mas também para animação em longas metragens onde o humor utilizado e as técnicas de escrita permitem dois níveis de público. Crianças e adultos partilham nos dias de hoje ícones da animação e conseguem extrair do mesmo argumento e filme dois sentidos, o lúdico e de diversão e o humor político ou com grandes marcas de sátira social.

Pedro Ferreira
Publicado no especial Fantasporto da Rascunho.net

11 janeiro 2009

FANTASPORTO 2009 - está quase a chegar...


Está na fase final a programação da 29ª edição do Fantasporto - Festival Internacional de Cinema do Porto, que decorre entre os próximos dias 16 de Fevereiro e 1 de Março de 2009. O Fantas volta a ter o Teatro Rivoli como sede. A tenda “Cidade do Cinema” vai ser ampliada. O cineasta português Fonseca e Costa recebe o prémio pela sua brilhante carreira de meio século de cinema. Da Galiza vem o melhor do seu mais recente cinema. No ano de 2009 o Fantas volta a contar com o apoio da Lusomundo.
O impacto internacional do Fantasporto permite, uma vez mais, que com uma antecedência significativa a sua programação esteja num estado adiantado de confirmações.
Os contactos realizados durante o Festival de Cannes 2008, onde o Fantas marcou presença com um stand no Mercado do Filme, permitiram assegurar até ao momento a presença em competição de algumas das obras cinematográficas mais marcantes do ano.
“Delta” de Kornél Mundruczó, representante oficial da Hungria na Secção Oficial de Cannes, é um dos grandes filmes com presença assegurada no Fantasporto 2009. O festival orgulha-se de ter dado a conhecer a Portugal o realizador com os filmes “Pleasant Days” e “Johanna”, Prémios melhor Actriz e Especial do Júri, da Secção Oficial de Cinema Fantástico do Fantasporto 2006. Completa-se assim a trilogia daquele que é o mais importante realizador húngaro da actualidade. Vencedor do Prémio da Critica (FIPRESCI) de Cannes 2008, “Delta” é uma perturbadora metáfora sobre o amor e as relações humanas no delta do Danúbio, um deslumbramento visual, uma rara experiência estética em cenários naturais acompanhado por uma banda sonora inspirada no melhor da tradição folclórica magiar.
Outro dos grandes focos do Fantasporto 2009 é o regresso em força do cinema sul-coreano. Depois de alguns anos em que tardou em encontrar o seu rumo original, esta cinematografia volta a ser um garante de qualidade e espectacularidade. Prova disso são dois dos filmes já confirmados: “Hansel & Gretel” de Yim Phil-Sung e “The Chaser” de Na Hong-Jin, que acabam de ser premiados no mais importante festival de cinema fantástico sul coreano. “The Chaser” ganhou os prémios Melhor Filme de PiFan – Puchon International Fantastic Film Festival e European Federation of Fantastic Film Festival Asian Award, enquanto “Hansel & Gretel” foi distinguido com uma Menção Especial. O cinema da Coreia do Sul retoma o terror e agora de uma forma mais violenta e sangrenta, num caso partindo de uma história do lendário tradicional europeu e refazendo-a como conto de horror, “Hanse & Gretel” e, no caso de “The Chaser”, apostando num terror mais urbano do submundo da prostituição.
Confirmados estão ainda mais de duas dezenas de novos filmes de cinematografias que vão desde a Oceânia à Europa, da Ásia às Américas mas estes têm de ser desvendados aos poucos sob pena de depois não haver “novidades” sobre o Fantas.
Também alguns nomes bem conhecidos do cinema mundial estão a ser convidados e dois deles já confirmaram a sua presença.
Importante é referir que o cineasta português alvo de uma merecida homenagem no Fantasporto 2009 é José Fonseca e Costa. Nome grande do cinema novo português que ajudou a fundar com “O Recado” (1972), Fonseca e Costa tem uma longa e profícua carreira de mais de meio século.
A maior parte dos filmes do cineasta de origem angolana estão centrados na comédia de costumes, de que são exemplos, “Kilas, O Mau da Fita”, “Sem Sombra de Pecado” e “Viuva Rica Solteira não Fica” ou no drama social e político como em “A Balada da Praia dos Cães” e “Cinco Dias, Cinco Noites”. Fonseca e Costa é um dos mais representativos da vertente do cinema de autor português e um dos que uma mais forte relação com o público tem conseguido.
A presença já garantida do autor no Fantas em Fevereiro do próximo ano vai ser assim ocasião para um reencontro o realizador e o seu vasto público, para uma troca de ideias sobre a Sétima Arte que culminará com a entrega do Prémio Carreira na Sessão de Encerramento da Vigésima Nona edição do Festival Internacional de Cinema do Porto. Esta é apenas uma das facetas da grande visibilidade que o Fantasporto dará ao cinema português.

Em 2009 não será preciso ir muito longe para escolher a cinematografia a destacar. Habitualmente selecciona-se um país para homenagear. Mas, nos últimos anos tem-se verificado uma presença constante de filmes oriundos da Galiza, pelo que se justifica um destaque particular a uma produção autonómica em crescendo.
Prova desta vitalidade são as excelentes animações em co-produção com Portugal, que passaram no Fantasporto “O Bosque Animado” e “Onyria”, ou o premiado “Un Franco, 14 Pesetas”, Grande Prémio da Semana dos Realizadores do Fantasporto 2007.
Com a colaboração da Axencia Audiovisual Galega que está a preparar o programa de acordo com os critérios culturais da Xunta da Galiza, a retrospectiva do mais recente cinema galego vai ser um dos expoentes do Fantasporto 2009.
Não se ficam por aqui as retrospectivas uma vez que os clássicos e a Secção Orient Express terão como habitualmente o seu espaço no festival.

25 fevereiro 2008

Começa amanhã no Porto - Fantasporto 2008


Fantasporto 2008 spot for tv and movie theaters from j. dorminsky on Vimeo.


25 de Fevereiro a 9 de Março de 2008
RIVOLI - TEATRO MUNICIPAL
PORTO

OS NÚMEROS DO FANTASPORTO 2008

38 PAÍSES REPRESENTADOS
Europa representada por 22 países
Resto do Mundo representado por 16 países
Portugal com 87 filmes em exibição
13 ÉCRANS
8 CIDADES ENVOLVIDAS
3.100 LUGARES POR SESSÃO
527 SESSÕES
64 FILMES EM COMPETIÇÃO
359 FILMES A EXIBIR
251 Longas Metragens
108 Curtas Metragens
COLABORAÇÕES:
11 Distribuidoras portuguesas
3 Distribuidoras espanholas
320 Produtoras
650 CONVIDADOS
300 JORNALISTAS
250 PESSOAS PARTICIPAM NA PRODUÇÃO DO FANTAS

FANTASPORTO
Evento de Manifesto Interesse Cultural (Ministério da Cultura)
Evento Imagem de Portugal no Estrangeiro (Instituto de Turismo)
Medalha Grau Ouro da Câmara Municipal do Porto
Medalha Grau Ouro da Câmara Municipal de Gaia.
Evento considerado um dos 25 maiores festivais do Mundo, segundo a Variety

mais infos no site oficial

25 fevereiro 2007

Porque hoje é Domingo


Porque hoje é Domingo e o dia me aperta na rigidez das horas que custam tanto a passar...
Talvez um filme. Sentado de qualquer forma em frente a um ecrã que me possa contar uma história que eu consiga suportar.

[porque no Porto há Fantasporto uma pequena e digna homenagem ao autor do filme que origina a fotografia lá de cima - Kim Ki Duk in The Bow]