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19 dezembro 2008

Nem cigarra nem formiga


António Costa aquando do seu comentário sobre a candidatura de Santana Lopes teve a ousadia de se fazer comparar a si e ao seu adversário de cigarra e de formiga como na fábula popular. O que não lhe passou pela cabeça e o que nunca passa pelas cabeças quando contam esta história é que ela somente reproduz as injustiças sociais e a falta de compreensão para o que são os problemas da cultura. A cigarra não é tão pouco menos trabalhadora do que a formiga. Enquanto uma tem um trabalho mais funcional ou com um efeito prático mais visível, a cigarra é quem a anima para trabalhar representando assim a vida para além do trabalho que é tão necessário para a formiga como os alimentos. Assim como quem faz música, teatro, pintura, escreve ou tem outra qualquer actividade cultural deve ter o seu trabalho reconhecido e a sua utilidade social. Desta forma também a formiga devia ter esse reconhecimento na moral da história. Pois é nem só de pão vive o homem, diz também o povo. Mas se sairmos da complexidade antagónica típica dos ditos e contos populares facilmente nos apercebemos também que em Portugal o político “formiga” não é um exemplar muito visto, aliás goza da predilecção típica de uma espécie em extinção. Recebe atenção só quando se encontra nesse estado e raramente sai daí. Gostamos de os ter por perto mas pouco fazemos para lhe dar mais relevância que uma atençãozinha de misericórdia.

Nem António Costa nem Santana Lopes são políticos “formiga”. E se Santana Lopes já goza de fama de ser uma “cigarra” reconhecido pela sua arte de pouco e nada fazer para além das aparições mediáticas nos mais variados espectros da sociedade com mais ou menos intervenção. António Costa não tem mostrado ser mais do que uma espécie de gato caseiro, gordo e velho. Mexe-se para comer e troca afectos por alimento, num trabalho que vai sendo pouco visível e com poucos resultados.

O panorama político português é um jardim zoológico de terra pequena, com animais velhos, cansados e preguiçosos que aguardam lentamente a chegada tardia da morte. Vivem encerradas nas suas jaulas conhecem muito pouco do que os rodeia e o seu nível de competitividade fica sempre muito abaixo das expectativas. No fim são todos amigos e tal como a formiga e a cigarra alguém acabará por ser alimentar à custa do outro.

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