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31 dezembro 2008

Ano vem Ano vai e nós por cá


Saiam deste em grande !
Entrem ainda melhor !


Bom 2009 cheio de tudo de bom !

2008 em algumas imagens









e porque há coisas que as fotografias não dizem :


30 dezembro 2008

Sessenta jornalistas mortos no exercício da profissão em 2008


Sessenta jornalistas e um colaborador foram mortos no exercício da profissão, em 2008, segundo um balanço anual hoje divulgado pelos Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Apesar de este número "não ser tão alarmante" como o de 2007, a organização de defesa da liberdade de imprensa considera a situação "globalmente má".

Em 2007, morreram 86 jornalistas e 20 colaboradores de órgãos de comunicação social, recorda a organização de defesa da liberdade de imprensa RSF.

"O triste espectáculo de um jornalista algemado é diário, ou quase diário, em todos os continentes", refere a organização.
"A prisão é a resposta mais frequente de governos que são postos em causa. E os assassínios (...) quase nunca são levados a tribunal", lamenta a RSF.

Em 2008, 60 jornalistas e um colaborador de órgãos de comunicação social foram mortos, segundo a RSF, que teve em conta os casos em que foi estabelecida, ou considerada "altamente provável", uma ligação entre a profissão da vítima e a sua morte.
O Iraque (15 mortos), o Paquistão (sete mortos) e as Filipinas (seis mortos) foram os países onde morreram mais jornalistas em 2008.
Em África, três jornalistas foram mortos este ano, contra 12 em 2007.
Mas esta diminuição só se explica "pela desistência de muitos profissionais de exercerem a profissão", bem como pelo "desaparecimento dos 'media' em zonas de conflito", nomeadamente na Somália, segundo a RSF.

Os números:

Em 2008 :
- 60 jornalistas assassinados
- 1 colaborador assassinado
- 673 jornalistas detidos
- 929 agredidos ou ameaçados
- 353 orgãos de comunicação censurados
- 29 jornalistas sequestrados

E no se refere a Internet :
- 1 blogger assassinado
- 59 bloggers detidos
- 45 agredidos
- 1.740 websites informativos fechados ou suspendidos

Podem ver em PDF o relatório completo em castelhano

29 dezembro 2008

Gaza: «choque e pavor» por Alain Gresh (inédito)


Sábado, dia 27 de Dezembro, a aviação israelita fez raides assassinos contra Gaza. De acordo com as autoridades israelitas, os lugares visados eram centros de comando do Hamas e das suas forças armadas. O balanço deste dia eleva-se a mais de 270 mortos e várias centenas de feridos. Numerosos civis foram atingidos, como relata o correspondente do The New York Times em Gaza, Taghreed El-Khodary («Israeli Attack Kills Scores Across Gaza»):

«No hospital de Shifa, numerosos corpos jaziam na morgue, esperando que a sua família os viesse identificar. Muitos estavam desmembrados. No interior, a família de um bebé de cinco meses que tinha sido gravemente ferido na cabeça por um rebentamento de obus. Com o hospital sobrelotado, o seu pessoal parecia incapaz de prestar ajudar. Na esquadra de polícia de Gaza, pelo menos quinze agentes de trânsito que estavam a treinar foram mortos. Tamer Kahruf, 24 anos, um civil que trabalhava numa obra de construção civil em Jabaliya, no Norte de Gaza, explica que os seus dois irmãos e o seu tio foram mortos sob os seus olhos quando a aviação israelita bombardeou um posto de segurança nos arredores. Kahruf está ferido e sangra da cabeça.»

Vítima desde há várias semanas de um bloqueio total, Gaza (e os seus médicos, evidentemente) está impossibilitada de cuidar dos feridos em condições normais.

O sítio Internet Free Gaza recolheu numerosos testemunhos de estrangeiros e de palestinianos no terreno que dão uma ideia da dimensão dos ataques.

O Hamas ripostou disparando várias dezenas de mísseis sobre Israel. Um israelita foi morto e vários foram feridos em Netivot e Ashkelon.

No domingo, dia 28, de manhã, as agências de imprensa anunciavam que o exército israelita estava a concentrar as suas tropas terrestres à volta de Gaza. Os bombardeamentos tinham sido retomados, tendo os raides israelitas atingido desta vez, designadamente, uma mesquita e uma estação de televisão. De acordo com o ministro da Defesa Ehud Barack, em caso algum punham a hipótese de um cessar-fogo: «É necessário mudar as regras do jogo»Israel resumes Gaza bombardment », Al-Jazeera English, 28 de Dezembro).

Na sexta-feira, Israel tinha excepcionalmente reaberto três pontos de passagem e deixado passar várias dezenas de camiões. Segundo um comentador israelita que defende o ponto de vista do seu governo, esta abertura fazia parte de actos de «diversão e de camuflagem adoptados pelo governo nos últimos dias» para apanhar o Hamas de surpresa. A escolha de um dia de sabat também. O mesmo comentador, Ron Ben-Yishal, explicou a 27 de Dezembro no sítio Internet a estratégia israelita: «Shock Tretment in Gaza».

«O que começou em Gaza no sábado de manhã é aparentemente uma acção limitada, visando obter um cessar-fogo a longo prazo entre o Hamas e Israel, em termos favoráveis a Israel. Estes termos incluiriam o fim dos ataques com morteiros e mísseis; o fim dos ataques terroristas através da fronteira de Gaza; negociações séria para a libertação de Gilad Shalit; e a suspensão do reforço militar do Hamas. O meio para garantir os objectivos mencionados é, literalmente, um “tratamento de choque”. Assim, o Hamas já não será capaz de tomar a iniciativa, e será Israel que tomará a iniciativa e mostrará ao Hamas que vai responder de forma “desproporcionada” de cada vez que os habitantes do Negev Ocidental forem bombardeados. Nesta fase, não falaremos do derrube do regime do Hamas, mas sobretudo da formulação de novas regras do jogo e de um esforço para pressionar o Hamas a aceitar um novo cessar-fogo.»

No sítio Internet do diário Haaretz, Amos Harel assinou um comentário intitulado «IAF strike on Gaza is Israel’s version of ‘shock and awe’».

«Os acontecimentos ao longo da frente Sul que começaram sábado de manhã, às 11h30, parecem-se muito com uma guerra entre Israel e o Hamas. É difícil dizer onde (geograficamente) e por quanto tempo vai prosseguir a violência antes de uma intervenção da comunidade internacional com vista à suspensão das hostilidades. Todavia, a salva de abertura israelita não é uma operação “cirúrgica” ou um ataque limitado. É o assalto mais violente a Gaza desde que este território foi conquistado em 1967.»

Esta ofensiva coloca-se também no quadro, se assim se pode dizer, da campanha eleitoral israelita. No dia 10 de Fevereiro de 2009 terão lugar eleições gerais e cada um dos candidatos faz apostas ousadas. Mesmo o partido de esquerda Meretz apelou, antes do desencadeamento do ataque israelita, a uma acção armada [1]. Em contrapartida, o Gush Shalom, a organização de Uri Avnery, condenou firmemente a acção israelita e os ditos apoiantes da paz, como Amos Oz, que a apoiam. Lembremos que em Fevereiro de 1996, o primeiro-ministro de então, Shimon Peres, tinha lançado uma ofensiva contra o Líbano («Uvas da cólera») – que ficou célebre pelo massacre de Cana, com uma centena de refugiados mortos – na esperança de ganhar as eleições que se preparavam. Resultado: Benyamin Netanyahu ganhou e tornou-se primeiro-ministro. No sábado à noite, um milhar de pessoas manifestou-se em Telavive contra os ataques israelitas.

É interessante notar que os comentadores israelitas, como a maior parte dos comentadores da imprensa ocidental, não assinalam a razão mais importante do falhanço do cessar-fogo de seis meses, que durou de 19 de Junho até 19 de Dezembro. Como nos confirmou Khaled Mechaal, chefe da comissão política do Hamas na semana passada, o acordo compreendia, para além do cessar-fogo, o levantamento do bloqueio de Gaza e um compromisso do Egipto em abrir a passagem de Rafah. Ora, não só Israel violou o acordo de cessar-fogo lançando um ataque que matou várias pessoas no dia 4 de Novembro, como os pontos de passagem não foram reabertos senão parcialmente, e o bloqueio foi mesmo reforçado nas últimas semanas. A população, que era largamente favorável ao acordo em Junho, exige hoje uma clarificação: ou a guerra ou a abertura incondicional dos pontos de passagem e o fim da chantagem permanente que permite a Israel matar lentamente à fome (e privar de cuidados de saúde) a população. Esta está certa quando acusa Israel, como relata o sítio Internet da Al-Jazeera em inglês: «Gazans: Israel violated the truce» (Mohammed Ali).

O presidente Nicolas Sarkozy reagiu com um comunicado. «O presidente da República exprime a sua mais viva preocupação perante a escalada da violência no Sul de Israel e na Faixa de Gaza. Condena firmemente as provocações irresponsáveis que conduziram a esta situação, assim como o uso desproporcionado da força. O presidente da República deplora as importantes perdas civis e exprime as suas condolências às vítimas inocentes e às suas famílias. Pede a paragem imediata dos lançamentos de mísseis sobre Israel, assim como dos bombardeamentos israelitas sobre Gaza, e apela à moderação de ambas as partes. Lembra que não existe solução militar em Gaza e pede a instauração de uma trégua duradoura.»

Num comunicado publicado na sequência do seu encontro com Abul Gheit, ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros, Bernard Kouchner reiterou as mesmas posições, acrescentando todavia que a França pedia «a reabertura dos pontos de passagem», um ponto ignorado por Sarkozy.

A senadora Nathalie Goulet, da UMP (União para um Movimento Popular), pertencente à Comissão dos Negócios Estrangeiros, publicou a declaração seguinte: «Como sempre, Israel faz um uso excessivo da força perante a indiferença da comunidade internacional, que deixa degradar-se a situação em Gaza há meses e meses. Não há que culpar nem o Irão nem o Hamas, mas a inércia da comunidade internacional, o apoio sistemático da política americana a Israel e a intolerável “atitude dupla” das organizações internacionais. Israel viola desde há quarenta anos dezenas de resoluções da ONU, sem embargo, sem sanções e com toda a impunidade. A situação é insuportável para os habitantes civis de Gaza desde há anos. A situação tem vindo a degradar-se, com o seu cortejo de humilhações e uma sede de vingança. Olho por olho tornará o mundo cego, disse Gandi. Há já demasiado, demasiado tempo que estamos cegos e surdos em relação ao sofrimento do povo palestiniano.»

Os ataques também suscitaram as condenações habituais dos países árabes. Uma reunião de emergência da Liga Árabe terá tido lugar no domingo. O Egipto declarou que acusava Israel como responsável; esta afirmação é talvez uma resposta a informações da imprensa israelita que afirmam que o Cairo teria dado luz verde a uma operação limitada a Gaza visando derrubar o Hamas («Report: Egypt won’t object to short IDF offensive in Gaza», por Avi Issacharoff, Haaretz, 25 de Dezembro). Um outro artigo do Haaretz publicado no dia 28 de Dezembro, e que descreve a campanha de desinformação do governo israelita antes da ofensiva de Gaza, explica que Tzipi Livni, a ministra dos Negócios Estrangeiros, tinha informado o presidente Mubarak do ataque («Disinformation, secrecy and lies: How the Gaza offensive came about», por Barak Ravid). A cumplicidade do Cairo é confirmada por um relatório da Y-net, «Egypt lays blame on Hamas», por Yitzhak Benhorin (27 de Dezembro), que retoma as declarações do ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros Abul Gheit, explicando que o seu governo tinha prevenido o Hamas e que os que não tinham escutado estes avisos assumiam a responsabilidade da situação (sobre as razões da política egípcia, ler esta entrevista com Khaled Mechaal).

Nestas condições, é duvidoso que estas condenações árabes conduzam a resultados. A única iniciativa espectacular e eficaz que o Cairo poderia tomar seria reabrir a ponte de passagem de Rafah, o que não quer fazer de modo nenhum – até agora, limitou-se a abrir a passagem aos feridos palestinianos. E, de acordo com a agência de imprensa Maan, nenhum ferido se apresentou, afirmando os médicos palestinianos que o transporte dos feridos graves é impossível, a menos que o Egipto envie helicópteros («Not one Gazan at Rafah crossing despite Egyptian promise to treat wounded, country to send medical supplies instead», 27 de Dezembro).

Para lá do bloqueio, é necessário lembrar que:

• a recusa da comunidade internacional em reconhecer o resultado das eleições legislativas de Janeiro de 2006, que deram a vitória aos candidatos do Hamas, contribuiu para a escalada israelita; assim como a recusa de admitir realmente o acordo de Meca entre a Fatah e o Hamas;

• a União Europeia e a França em particular, quaisquer que sejam a suas tomadas de posição, encorajam concretamente a política israelita, designadamente recompensando Israel pela melhoria das relações entre Israel e a União Europeia, apesar das violações repetidas por Israel de todos os compromissos (diminuição do número de check-points, desmantelamento dos colonatos «ilegais», etc.);

• finalmente, lembremos esta verdade, cuja evidência é demasiadas vezes ocultada: a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental estão ocupadas desde há mais de quarenta anos. É esta ocupação que é a fonte de toda a violência no Médio Oriente.

Notas:

[1] «Leftist Meretz issues rare call for military action against Hamas», por Roni Singer-Heruti, Haaretz, 25 de Dezembro

Fonte: Le Monde Diplomatique - Portugal

28 dezembro 2008

Nós feministizámo-nos. E tu?


Na tentativa de incrementar uma mudança nas sociedades contemporâneas, reivindicamos um processo de feministização dos domínios político, económico e sociocultural. Exigimos a erradicação das práticas discriminatórias que transformam as mulheres em indivíduos de segunda. Levantamos a voz pela consecução da Igualdade de Género.

A militância feminista trouxe conquistas indubitáveis para a arena dos direitos das mulheres ocidentais, reflectidas designadamente no direito ao voto, à propriedade e ao divórcio, no acesso ao ensino e ao mercado de trabalho, na autonomia sobre o seu corpo. Contudo, a igualdade entre homens e mulheres não existe em nenhuma parte do planeta, prevalecendo repudiáveis violações dos direitos fundamentais.

Em todo o mundo, um bilião de mulheres, ou uma em cada três, foram violadas, espancadas ou sofreram algum tipo de violência. Uma em cada cinco mulheres será vítima ou sofrerá, pelo menos, uma tentativa de violação durante a sua vida. Os crimes de honra vitimam cinco mil mulheres anualmente, tendo particular incidência na Índia, Brasil, Marrocos, Paquistão, Turquia, Irão e Reino Unido. Em todo o mundo, faltam cerca de 60 milhões de mulheres devido ao feticídio e infanticídio. As mulheres jovens constituem 60% das vítimas de violência sexual em todo o planeta. Em contextos de conflito bélico, a violência sexual contra mulheres é usada como forma de intimidação, humilhação e vingança. Na Serra Leoa, por exemplo, entre 50 e 64 mil mulheres foram violadas por grupos armados. Todos os anos, quatro milhões de mulheres, homens e crianças são vítimas de tráfico, encontrando como destinos a prostituição, trabalho escravo, pornografia e mendicidade. Estima-se que dois milhões de crianças com idades compreendidas entre os 4 e os 12 anos sejam, anualmente, vítimas da Mutilação Genital Feminina. As mulheres representam 70% dos pobres em todo o mundo, realizam 2/3 do trabalho e auferem apenas 10% dos rendimentos mundiais. Embora as mulheres constituam a maioria do eleitorado, 84% dos parlamentares são homens.

Feministizemo_nos para:

1. Alargar a participação das mulheres na arena política, tornando-as vozes activas na mudança social;

2. Apostar na educação para a saúde, conscientizando para os efeitos nocivos de comportamentos de risco ao nível da sexualidade, dieta alimentar e consumo de aditivos;

3. Assegurar a vivência da sexualidade isenta de opressão, repressão ou coacção;

4. Banir o assédio moral e sexual das relações interpessoais, especialmente as de carácter laboral;

5. Circunscrever a violência física, psicológica e sexual contra homens e mulheres, promovendo a prevenção, educação e sensibilização dos indivíduos;

6. Combater a homofobia, transfobia, racismo, xenofobia, e misoginia;

7. Combater a feminização do VIH/Sida;

8. Combater a selecção pré-natal do sexo dos bebés, ritualizada através do feticídio;

9. Combater o casamento forçado de milhares de crianças e mulheres;

10. Digladiar contra a reprodução dos estereótipos de género na publicidade e nos média, incentivando a feministização das práticas jornalísticas;

11. Educar para a erradicação do duplo padrão de sexualidade, que julga de modo diferente iguais comportamentos em função do sexo a que o individuo pertence;

12. Erradicar o patriarcado das sociedades contemporâneas, cultivando, ao invés, uma maior equidade e justiça;

13. Erradicar os crimes de honra (apedrejamento, ataques com ácido, espancamento, …) que vitimam milhares de mulheres;

14. Erradicar práticas culturais nocivas e extremamente violentas como a Mutilação Genital Feminina;

15. Exigir a reformulação dos sistemas judiciais corrosivos dos direitos individuais;

16. Fomentar uma distribuição justa nas tarefas domésticas, tornando as funções de housekeeper e childcare em incumbências de ambos os sexos;

17. Garantir o acesso ao sistema de ensino de rapazes e raparigas, promovendo a sua participação em espaços culturais e recreativos;

18. Garantir o acesso das mulheres à propriedade e ao controlo dos bens de raiz;

19. Libertar o corpo feminino das determinações políticas e sociais;

20. Nivelar as remunerações de mulheres e homens que desempenham as mesmas funções, fazendo singrar a máxima ‘salário igual para trabalho de valor equivalente’;

21. Pelejar contra a esterilização forçada e outras práticas reprodutivas ofensivas dos direitos das mulheres;

22. Pôr fim ao tráfico de seres humanos que escraviza milhares de homens, mulheres e crianças em todo o mundo;

23. Promover a participação equitativa de homens e mulheres no mercado de trabalho, garantindo iguais condições de acesso, formação, permanência e ascensão;

24. Recusar a transformação do corpo da mulher num instrumento bélico;

25. Reduzir a taxa de mortalidade materno-infantil, defendendo uma melhor distribuição dos métodos de contracepção, a despenalização do aborto, uma assistência médica qualificada e cuidados de obstetrícia;

26. ….

Nós feministizámo_nos. E tu?

27 dezembro 2008

Uma questão de quimica...


Quemical party - bom anúncio !

26 dezembro 2008

O mundo, o teatro, a cultura, a politica... enfim tod@s nós mais pobres !


Adeus !

O teatro político coloca toda uma série de problemas. Há que evitar os sermões a todo o custo. A objectividade é essencial, deve-se deixar as personagens respirar o seu próprio ar. O autor não pode confiná-las nem obrigá-las a satisfazer o seu próprio gosto, inclinações ou preconceitos. Tem de estar preparado para as abordar sob uma grande variedade de ângulos, um leque de perspectivas diversas, apanhá-las de surpresa, talvez, de vez em quando, mas deixando-lhes a liberdade de seguirem o seu próprio caminho. Isto nem sempre funciona. E a sátira política, é evidente, não obedece a nenhum destes preceitos; faz exactamente o inverso, e é essa a sua função principal.

Harold Pinter, in "Discurso de Aceitação do Prémio Nobel"

Sabia que....


Depois do Natal, os balanços finais de mais um ano... ou uma vida !

23 dezembro 2008

Merry Fucking Christmas

22 dezembro 2008

Um sapatinho para Mr. Bush


Neste dia 23 de Dezembro, às 18 horas, leva um sapato e deixa-o na embaixada norte-americana exigindo a libertação imediata de al-Zaidi e o fim da guerra contra o Iraque.

Muntadhar al-Zaidi, o jornalista iraquiano que no dia 14 de Dezembro atirou os sapatos ao ainda presidente dos EUA George W. Bush, continua preso e, segundo um advogado iraquiano citado pelo canal de TV France 24, poderia ser condenado a pelo menos dois anos de prisão pelo seu acto. Segundo relato do seu irmão Durgham à BBC, Muntadhar al-Zaidi teria sido torturado e em consequência disso teria uma mão e várias costelas partidas, um derrame interno e um olho ferido.
A Al-Baghdadia TV, para a qual trabalha al-Zaidi, lançou, segundo a BBC, um comunicado em que diz: «A televisão Al-Baghdadia exige às autoridades do Iraque que libertem imediatamente o seu colaborador Muntadhar al-Zaidi, de acordo com a democracia e liberdade de expressão que as autoridades norte-americanas prometeram ao povo iraquiano (…). Quaisquer medidas contra Muntadhar serão consideradas como actos de um regime ditatorial.»
Nós, cidadãos portugueses, vimos nestas vésperas de Natal depositar os nossos sapatos junto à embaixada dos EUA em Lisboa, apelando a que os Estados Unidos da América dêem imediatamente ordens aos seus capatazes iraquianos, o «governo» de Nouri al-Maliki, para que libertem al-Zaidi, símbolo da coragem dos iraquianos que se rebelam contra a ocupação criminosa do seu país pelas forças para lá enviadas pelo mesmo George W. Bush.
Se um homem que atirou (e falhou) dois sapatos ao senhor Bush devesse ser condenado, a quantos anos de prisão deveria ser condenado o senhor Bush, que ordenou a invasão e ocupação do país de al-Zaidi, causando milhares de mortos?
Fazemos votos para que o Novo Ano inspire o povo norte-americano a romper com o passado tenebroso que representou a Administração Bush e que as tropas norte-americanas saiam do Iraque para casa, não para serem transferidas para o Afeganistão.

Neste dia 23 de Dezembro, às 18 horas, leva um sapato e deixa-o na embaixada norte-americana (Avenida das Forças Armadas, 1600 Lisboa) com a tua mensagem de Natal para os EUA exigindo a libertação imediata de al-Zaidi e o fim da guerra contra o Iraque.

Colectivo revista Rubra (revistarubra@gmail.com)
Monthly Review - edição portuguesa (www.zionedicoes.org)
Revista Shift - (www.zionedicoes.org)
Comité Palestina (palestinavence@gmail.com)
Política Operária (dinopress@sapo.pt)
Colectivo Mumia Abu-Jamal (http://cma-j.blogspot.com/ )
Plataforma Guetto
Plataforma Nos k nasi omi k ta mori omi
Projecto Casa Viva
Colectivo Socialismo Revolucionário

José Mário Branco
João Bernardo
João Delgado
Isabel Faria
Francisco d'Oliveira Raposo

19 dezembro 2008

Nem cigarra nem formiga


António Costa aquando do seu comentário sobre a candidatura de Santana Lopes teve a ousadia de se fazer comparar a si e ao seu adversário de cigarra e de formiga como na fábula popular. O que não lhe passou pela cabeça e o que nunca passa pelas cabeças quando contam esta história é que ela somente reproduz as injustiças sociais e a falta de compreensão para o que são os problemas da cultura. A cigarra não é tão pouco menos trabalhadora do que a formiga. Enquanto uma tem um trabalho mais funcional ou com um efeito prático mais visível, a cigarra é quem a anima para trabalhar representando assim a vida para além do trabalho que é tão necessário para a formiga como os alimentos. Assim como quem faz música, teatro, pintura, escreve ou tem outra qualquer actividade cultural deve ter o seu trabalho reconhecido e a sua utilidade social. Desta forma também a formiga devia ter esse reconhecimento na moral da história. Pois é nem só de pão vive o homem, diz também o povo. Mas se sairmos da complexidade antagónica típica dos ditos e contos populares facilmente nos apercebemos também que em Portugal o político “formiga” não é um exemplar muito visto, aliás goza da predilecção típica de uma espécie em extinção. Recebe atenção só quando se encontra nesse estado e raramente sai daí. Gostamos de os ter por perto mas pouco fazemos para lhe dar mais relevância que uma atençãozinha de misericórdia.

Nem António Costa nem Santana Lopes são políticos “formiga”. E se Santana Lopes já goza de fama de ser uma “cigarra” reconhecido pela sua arte de pouco e nada fazer para além das aparições mediáticas nos mais variados espectros da sociedade com mais ou menos intervenção. António Costa não tem mostrado ser mais do que uma espécie de gato caseiro, gordo e velho. Mexe-se para comer e troca afectos por alimento, num trabalho que vai sendo pouco visível e com poucos resultados.

O panorama político português é um jardim zoológico de terra pequena, com animais velhos, cansados e preguiçosos que aguardam lentamente a chegada tardia da morte. Vivem encerradas nas suas jaulas conhecem muito pouco do que os rodeia e o seu nível de competitividade fica sempre muito abaixo das expectativas. No fim são todos amigos e tal como a formiga e a cigarra alguém acabará por ser alimentar à custa do outro.

18 dezembro 2008

Veneno Cura de Raquel Freire em breve num cinema perto de si !


Veneno Cura com estreia prometida para Janeiro de 2009 deixa-nos em pulgas à espera do novo trabalho de Raquel Freire.
São cinco as histórias de amor contadas por Raquel Freire no filme Veneno Cura, no regresso da realizadora à cidade do Porto. A película retrata a capacidade humana de não ter medo de amar e de ser amado e do risco de partir em busca de sonhos.
Veneno Cura conta histórias de amor impossíveis, imorais, politicamente incorrectas, socialmente inaceitáveis. As personagens de Raquel Freire são completamente humanas, mas não têm medo de assumir a necessidade que todos têm de amor, de serem amados e de amar. Numa época em que se tem tanto medo, ninguém quer ser vulnerável, onde mostrar essa capacidade de amar é tido como um sinal de fraqueza.

Há um momento em que todos nos cruzamos.
Na noite escura.
Quando perdes tudo o que há para Perder, o que é que te faz continuar?
O teu pior?
O teu melhor?
O que te impede de te atirares da ponte na primeira oportunidade?
O que és capaz de fazer para sobreviver à mais terrível das dores?
Amas com as tripas de fora.
O que és capaz de fazer por amor?
Como é que sobrevives com o coração partido?
Quanto tempo dura um sentimento?
Tem prazo?
Já morreste de amor?
Não se pode viver sem amor.
O amor salva.
O amor mata.
O amor cura.
Há um Porto onde se morre de amor.
Há um clube onde tudo é permitido.
Imperatriz.
Vem.

16 dezembro 2008

O Pai Natal não existe...


"O NATAL VISTO PELOS NOSSOS GRANDES POETAS" é o título da sessão de poesia sobre o Natal no próximo dia 18, no Café Progresso, no Porto às 21,30. Acompanhamento musical (viola e acordeão) e leitura de poemas inesquecíveis.

15 dezembro 2008

Música de Buraka Som Sistema considerada terceira melhor do ano


O tema "Sound of kuduro", dos portugueses Buraka Som Sistema e retirado do álbum "Black Diamond", foi considerado um dos melhores do ano pelo jornal britânico “The Observer”.
De acordo com a edição de domingo do jornal, "Sound of kuduro", que faz parte do álbum "Black Diamond", foi eleita a terceira melhor música de 2008, ficando atrás de "Machine gun", dos Portishead, e "L.E.S. Artistes", de Santogold.
Para a redacção do Observer, "Sound of kuduro" ficou à frente de MIA (cantora que participa nesse tema), Kanye West e Leone Lewis.
Os Buraka Som Sistema não têm passado despercebidos no Reino Unido, onde actuam com regularidade, apresentando a mestiçagem de sons, com kuduro, electrónica, funk, tecno, dancehall.
"Black Diamond", editado em Novembro no mercado internacional, foi ainda considerado o quarto melhor álbum de 2008 pela revista de música Uncut.
Os Buraka Som Sistema, premiados em Novembro pela MTV Portugal como a melhor banda de 2008, são formados por Lil´John, DJ Riot, Kalaf e Conductor, surgiram há dois anos e editaram o EP "From Buraca to the world" e o álbum "Black Diamond". Para o início de 2009 têm agendada uma digressão pela Austrália.

14 dezembro 2008

A última dança de Bush no Iraque foi.... um sapateado !


Um jornalista iraquiano atirou os sapatos e chamou “cão” a George W. Bush durante uma conferência de imprensa, em Bagdad. O homem falhou o alvo por cinco metros, mas um dos sapatos acabou por bater na parede atrás do presidente norte-americano e do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki.
Antes de atirar os sapatos, o jornalista terá dito "É o beijo do adeus, espécie de cão".

13 dezembro 2008

A sua boa acção de Natal....


Salvem os ricos, ajudem os milionários!

12 dezembro 2008

Bonjour Tristesse


No fim do caminho procuro-te a ti: verdade. No fim do caminho esperava ter cores no cinzento do preto e branco. No fim esperava não ter que esperar muito mais. No fim a desilusão é tão grande como qualquer outra desilusão. Se a vida se conta em Primaveras há pelo meio muitos Invernos árduos e difíceis de ultrapassar. Nas cidades custa mais. Nas cidades os Invernos passam-se a deixar que os vícios nos consumam lentamente. Da ponta de um cigarro acendido em rebeldia à ponta de uma colher que mexe o incorrecto açúcar. No fim do caminho esperava alguma doçura. No fim do caminho esperava alguma coisa que não sei bem explicar....
Gosto de calcar folhas secas.... mas sem Outono...

11 dezembro 2008

100 anos de vida e quase outros tantos a filmar...


Ontem num lançamento de um livro, o Arrastar Tinta falava-se a certa altura de como podem existir outras formas de escrever nomeadamente da pintura e do cinema. Sempre me instigaram as várias tentativas feitas por Godard para definir o cinema a partir de determinadas características específicas da pintura. Uma das mais intrincadas manifesta nas experiências expressivas realizadas pelo cineasta. Em termos conceituais, a “escrita” ou “escritura fílmica” tem, na trajetória dos estudos de cinema, uma
longa tradição. Aqui será utilizado na concepção formulada por vários semioticistas, isto é, como trabalho
que o cineasta faz com os códigos e plasma num texto cinematográfico.
Hoje um dos maiores escritores completa 100 anos e continua a fazê-lo. Só isso!

I like to move it - e o que a animação não faz pelas músicas...


Pois claro, um filme a ver... nem tudo é mau no silly season de Natal!

10 dezembro 2008

Gala Prémios Precariedade - já só faltam 2 dias !


É já no dia 13 de Dezembro (Sábado), às 22 horas no Ateneu Comercial de Lisboa (Rua das Portas de Santo Antão, 110, junto ao Coliseu). E atenção ao relógio: os Gasganetes são pontuais.
A ansiedade é grande, afinal a Gala é um acontecimento dourado mas precário, com comes e bebes e a presença dos Farra Fanfarra, Pedro e Diana, Primo Canto, DJ Varatojo e outras vozes para dar música à festa do ano, até às 3 da manhã!




09 dezembro 2008

Arrastar Tinta - lançamento FNAC às 18 horas


É já hoje, quarta, pelas 18:00, na Fnac de Sta. Catarina, que se apresentará um livro a quatro mãos. Na pintura, Nuno Barros, na escrita, Pedro Eiras. A apresentação será de Helena Lopes e que seja mais um momento para rever amigos, para falar de poesia, das escritas e das palavras, dos desenhos, das cores e das pinturas. Vão até lá e sintam-se como em casa, perticipando sempre.

Sonhos Traficados em conversa no ISMAI




Convidamos tod@s a participar activamente nestes eventos promovidos no âmbito da Linha de Investigação que coordeno: "Sonhos Traficados: As rotas da violência e da imigração feminina", no ISMAI.

08 dezembro 2008

Jazz Contra o Racismo


Durante o Intervalo vai ser leiloado um Quadro doado ao SOS Racismo para fundos.

De salientar que pintores como Roberto Chichorro (Moçambique), Rui Jordão ( Angolano, ex futebolista internacional, agora pintor), Mito Elias (Cabo Verde) e outros artistas (Chico Fran que doou um quadro) vão estar presentes.

O SOS RACISMO VAI CUMPRIR 18 ANOS (10 de Dezembro)

05 dezembro 2008

Maçã com Bicho.....


No passado dia 24, o Tribunal da Relação do Porto condenou o Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros ao pagamento de uma indemnização no valor de € 67 740,67 à Ana Sofia Damião - esta havia sido, em 2002, sujeita a praxes que a levaram a ser a primeira pessoa a levar o tema até aos tribunais.

Pelo caminho, ficaram outras humilhações: desde receber um processo disciplinar igual ao dos seus agressores pela forma "subjectiva excessiva" com que relatou os factos; passando por insultos que se ouviam quando a Ana passava na rua; até ouvir um juiz, no final da fase de inquérito, dizer que ela "sabia ao que ía" e se não queria ser praxada tinha que se declarar "anti-praxe" desde o início; entre outras.

Mas 6 anos depois, abre-se mais uma porta. A porta por onde, finalmente, a Ana pode sair.
A mesma porta pela qual entra a responsabilidade das instituições de ensino superior no que diz respeito a este tema.
Fechar os olhos ao que acontece dentro das escolas ou fingir que se desconhecem os desrespeitos impostos dentro dos seus muros foram as atitudes que a direcção do Instituto Piaget escolheu desde o início - e foram essas atitudes que foram condenadas.

04 dezembro 2008

diverCIDADE: de quantas cidades se faz a nossa cidade?


Depois de no ano passado, sob o lema eu imPORTO-me, termos saído à rua numa noite fria para dizermos a quem nos quis ouvir que o Património da Humanidade está vivo e que nós queremos estar vivos com ele, chegamos agora a mais um 4 de Dezembro. O 12º aniversário. A puberdade de uma marca que reflecte a história da cidade e das pessoas que as habitam.
Tal como um qualquer adolescente, também o Património da Humanidade – gostamos do factor PH, às vezes ácido e corrosivo, outras vezes mais suave – muda todos os dias, assimila influências, adapta-se a novas funções, renasce depois das feridas, sofre de indecisão, rebela-se contra os tutores e, acima de tudo, teima em crescer e em criar uma identidade: a sua identidade. Este ano é sobre este PH em permanente desassossego que queremos falar. Das pessoas, portanto. Das pessoas que vestem este nosso Centro Histórico. As que aqui nasceram e as que fazem agora renascer a cidade.
Queremos falar, discutir e reflectir sobre as novas ocupações humanas e sociais do Património da Humanidade. Dos espaços vazios que deixam de o ser, das cidades dentro da cidade que crescem todos os dias, dos cruzamentos humanos, das partidas e das chegadas.
Queremos perceber de que forma a cidade entende e se relaciona com estes cruzamentos que são, hoje, o essencial desta malha urbana – dos jogos de críquete da Praça da Batalha, aos discretos murmúrios da mesquita de Cimo da Vila; dos sabores e dos sons telúricos que nos chegam de África, à jovem e europeia ocupação temporária de bairros populares. Queremos ouvir e pensar nas variáveis que o sotaque portuense nos oferece, da Ribeira à Foz, quando misturado com estas outras formas de falar, de cantar e de rezar que todos os dias habitam e tornam vivo o nosso património.
Que lugar ocupam as pessoas na cidade, nesta cidade-cruzamento? Que novas relações estabelece a cidade com as comunidades que agora nela se instalam? Serão os espaços vazios da cidade metaforicamente equivalentes ao espaço vazio de um palco, onde novas relações e novas ficções podem acontecer todos os dias? Que novo Património é este que se cria a partir daqui? Que nova Humanidade é esta que queremos construir na Cidade? Para responder e questionar estes e muitos outros assuntos, convidamos um conjunto de pessoas que animarão esta espécie de tertúlia à volta das múltiplas vidas que esta cidade tem e convidamos todos
os interessados a estarem presentes no Ateneu Comercial, na Rua de Passos Manuel, 44, no dia 4 de Dezembro, às 22:00 horas.
Ainda pendente de confirmação está a utilização do Mercado Ferreira Borges, às 20h00 horas, onde nos iremos encontrar com algumas das comunidades de cidadãos estrangeiros que residem no Porto.
De certeza às 23:45 vamos assistir à projecção de um vídeo na Fachada Habitada que os WeAreArchitects – Colectivo de Arquitectos preparou para a fachada do prédio nº 132 da Rua de 31 de Janeiro. Não fique em casa, venha mostrar que também se importa!

Boas ideias com a AMI


Talvez não saiba, mas o óleo alimentar que já não serve para si pode ainda ajudar muita gente. Em vez de o deitar fora, entregue-o nos restaurantes aderentes para que este seja recolhido. Além de diminuir a poluição do planeta, cada litro de óleo será transformado num donativo para ajudar a AMI na luta contra a exclusão social. Dê, vai ver que não dói nada.
Para participar neste projecto da AMI:

- Junte o óleo alimentar que usa na sua cozinha numa garrafa de plástico e entregue-a quando estiver cheia num dos restaurantes aderentes. Os restaurantes estão identificados e a lista completa está disponível em www.ami.org.pt;

- Afixe cartazes no comércio da sua localidade e distribua folhetos nas caixas de correio. Solicite materiais, enviando um e-mail para reciclagem@ami.org.pt;

- Divulgue esta informação no seu site ou blog;

- Encaminhe este e-mail para a sua lista de contactos.


Pela primeira vez, vai passar a existir em Portugal, uma resposta de âmbito nacional para o destino dos óleos alimentares usados. A partir de dia 15 de Julho, a AMI lança ao público este projecto que conta já com a participação de milhares de restaurantes, hotéis, cantinas, escolas, Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais.
A AMI dá com este projecto continuidade à sua aposta no sector do ambiente, como forma de actuar preventivamente sobre a degradação ambiental e sobre as alterações climáticas, responsáveis pelo aumento das catástrofes humanitárias e pela morte de 13 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.
Os cidadãos que queiram entregar os óleos alimentares usados, poderão fazê-lo a partir de agora. Para tal, poderão fazer a entrega numa garrafa fechada, dirigindo-se a um dos restaurantes aderentes, que se encontram identificados e cuja listagem poderá ser consultada no site www.ami.org.pt.

Os estabelecimentos que pretendam aderir, recebendo recipientes próprios para a deposição dos óleos alimentares usados, deverão telefonar gratuitamente para o número 800 299 300.
Este novo projecto ambiental da AMI permitirá evitar a contaminação das águas residuais, que acontece quando o resíduo é despejado na rede pública de esgotos, e a deposição do óleo em aterro. Os óleos alimentares usados poderão assim ser transformados em biodiesel, fornecendo uma alternativa ecológica aos combustíveis fósseis, e contribuindo desta forma para reduzir as emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE). Ao contrário do que por vezes acontece com o biodiesel de produção agrícola, esta forma de produção não implica a desflorestação nem a afectação de terrenos, nem concorre com o mercado da alimentação.
São produzidos todos os anos em Portugal, 120 milhões de litros de óleos alimentares usados, quantidade suficiente para fabricar 170 milhões de litros de biodiesel. Este valor corresponde ao gasóleo produzido com 60 milhões de litros de petróleo, ou seja, o equivalente a cerca de 0,5% do total das importações anuais portuguesas deste combustível fóssil. A AMI dá assim a sua contribuição para favorecer a independência energética do país, conseguindo atingir este objectivo de forma sustentável e com uma visão de longo prazo, não comprometendo outros recursos igualmente fundamentais para o desenvolvimento da sociedade e para o bem-estar da população.
Segundo a União Europeia, o futuro do sector energético deverá passar pela redução de 20% das emissões de GEE até 2020, assim como por uma meta de 20% para a utilização de energias renováveis. Refere ainda uma aposta clara na utilização dos biocombustíveis, que deverão representar no mínimo 10% dos combustíveis utilizados.
A UE determina ainda que os Estados-Membros deverão assegurar a incorporação de 5,75% de biocombustíveis em toda a gasolina e gasóleo utilizados nos transportes até final de 2010 e o Governo anunciou, em Janeiro de 2007, uma meta de 10% de incorporação de biocombustíveis na gasolina e gasóleo, para 2010.
As receitas angariadas pela AMI com a valorização dos óleos alimentares usados serão aplicadas no financiamento das Equipas de Rua que fazem acompanhamento social e psicológico aos sem-abrigo, visando a melhoria da sua qualidade de vida.

03 dezembro 2008

O Peso das Nuvens


Não queiras pôr a nuvem numa caixa transparente,
Ensinar-lhe as leis quotidianas,
Com quanto amor domestica-la.
Ela não fala essa linguagem.
Não tem lei, nem morada.
Uma secreta voz constantemente a chama.
Ama-la é conserva-la aí…
Nessa paragem, de instável insegurança.
E se quiseres guarda-la,
Na doce paz tão comum,
Tão diferente da paz inquieta, e sempre outro em que cintila.
Já não é a nuvem que tu amas, e mal sujeita ao clima estranho que a mutila, desfaz-se em água, e some-se na terra, transformada em lama.
Mário Dionísio

O Peso da nuvem de Ana Marta Fortuna é apresentado dia 3 de Dezembro pelas 21 horas no Espaço de Intervenção Cultural -Maus Hábitos.
Apresentação a cargo de Elsa Ligeiro da Alma Azul e do escritor e fotógrafo Pedro Ferreira.
Leitura do actor Pedro Saavedra e dos alunos da ESMAE Inês Neves, Teresa Vieira e Sara Reis.


A todos os que por aqui passam...apareçam nos Maus Hábitos e vamos passear palavras.

02 dezembro 2008

PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO! PELA DEFESA DA DIGNIDADE DOS IMIGRANTES E DE QUEM COM ELES SE SOLIDARIZA !

4 elementos de 4 associações empenhadas na defesa dos DIREITOS HUMANOS dos IMIGRANTES
"Essalam" (magrebinos), "AACILUS"(afro-brasileiros),"
Terra Viva! AES e "MUSAS"( portuguesas) vão ser julgado por crime de difamação agravada, na sequência de uma queixa de ex-direitor regional de SEF do Porto (SERVIÇO DE ESTRANGEIROS E FRONTEIRAS) por em Junho de 2006 terem, conjuntamente com outras associações ("S.O.S.Racismo" e "CNLI" ) promovido uma conferência de imprensa e uma manifestação de luto, responsabilizando MORALMENTE o Sef do porto pelo suicídio do paquistanês Hamid Hussain, após este ali haver sido maltratado e caído em depressão - conforme amigos seus da comunidade paquistanesa denunciaram aos órgãos de comunicação social .
http://tribuna-digital.weblog.com.pt/arquivo/2006/06/imigrantes_exig.html
E tambem porque essas associações denunciam a burocracia do SEF do Porto .
Se isso é crime apenas quando é feito por imigrantes estrangeiros (ou de origem estrangeira), então não poderíamos achar melhor maneira de dar razão a quem se queixa de discriminação por parte das autoridades portuguesas.
http://www.imigrante.pt/noticias/12.pdf
Na sequência dessa manifestação, de forma bastante notória, centenas de imigrantes, residentes na região Norte, que tinham já sido notificados para abandonar o país dentro de 20 dias, receberam do SEF os almejados títulos de residência.
A principal testemunha de acusação é o Dr.Eduardo Margarido, na altura responsável dos serviços do Porto do SEF, entretanto demitido daquelas funções, (a sua demissão fora também reivindicada na manifestação pelos imigrantes e portugueses com eles solidários…) .

PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO! PELA DEFESA DA DIGNIDADE DOS IMIGRANTES E DE QUEM COM ELES SE SOLIDARIZA !

Aparece no tribunal , solidariza te .

5 de DEZEMBRO (Sexta) 09.00 h. Tribunal de rua do Bolhao 17/25 Porto

26 novembro 2008

TEatroensaio apresenta: O dia que ficou sempre de noite


(clique na imagem para aumentar)

TEatroensaio
Teatreia Associação Cultural


Estreia dia 28 de Novembro, às 21h30, Sala Blackbox do CACE cultural do Porto.

"O Dia Que Ficou Sempre De Noite" é uma peça que aborda a temática da Ecologia e Sustentabilidade, onde se aprende a responsabilidade do ser humano para com o ambiente e a força do seu pensamento. Um espectáculo pensado especialmente para as crianças do primeiro ciclo e com conteúdos que podem ser aplicados ao projecto educativo anual das escolas.

Um espaço livre para dar asas à magia do teatro e à imaginação das crianças. Uma história contada por actores e marionetas para aprender a importância da água, da luz,das árvores e da vida em geral.

Ficha Artística/Técnica
Texto: António José Ferreira
Interpretação: António Parra e Inês Leite
Voz Off: Joana Alves dos Santos, Liliana Rocha, Nina Vicente e Tiago Correia
Apoio Pedagógico: Joana Alves dos Santos
Cenografia e Marionetas: Inês Leite, Joana Alves dos Santos e Pedro Ferreira
Desenho de Luz: Francisco Tavares Teles
Operação de Luz e som: Romeu Guimarães
Grafismo: Pedro Ferreira
Produção Executiva: Jorge Baptista

Espectáculos:

De 28 de Novembro a 19 de Dezembro 2008

Para escolas: Segunda a sexta-feira às 10h30 e 15h (marcação obrigatória).
Público em geral: Sábados e domingos às 16h (convem reservar).

[duração aproximada 45 minutos]

Informações e Reservas: 91 862 6345 | teatroensaio@gmail.com

Parcerias e Apoios: IEFP – CACE Cultural do Porto Casais – Engenharia e Construção S.A. ESMAE – IPP ESE – IP MOLA Panmixia Associação Cultural

25 novembro 2008

Grita. Grita mais alto !


2008 tem sido um ano negro da violência doméstica em Portugal. Homicídios e tentativas de homicídio ultrapassam os números dos últimos 5 anos. Apesar de toda a consciencialização social, os dados apontam para um agravamento do problema. Urge, pois, enfrentá-lo com respostas mais eficazes.

Neste sentido, a UMAR lança uma campanha dirigida aos homens para que estes se solidarizarem com as vítimas de violência, retirarem o apoio aos agressores e se demarcarem publicamente dos seus actos.

A campanha "Eu Não Sou Cúmplice" tem o objectivo de mobilizar as energias masculinas para esta batalha dos direitos humanos que está longe de estar ganha.

Se repudia toda e qualquer violência contra as mulheres, comprometendo-se na consciencialização e intervenção social da sociedade para a igualdade de género e promoção de uma cultura de não violência;

Se apela a todos os homens que não sejam cúmplices e testemunhas passivas da violência contra as mulheres, faça-se ouvir:

Assine! Divulgue!

24 novembro 2008

Yes, We Can !

23 novembro 2008

Coitadinho !!! Já não te amigos.....


Ainda me lembro quando eram todos amigos e tomavam cafés enquanto planeavam guerras...

21 novembro 2008

Nós por cá e ela por lá... e se ela não sabe lidar com a democracia que a democracia saiba lidar com ela !


"Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite."
Manuela Ferreira Leite, in Público

20 novembro 2008

Dia Internacional contra o esquecimento das vitimas da violência sobre as pessoas transgénero (Transgender Day of Remembrance)


As Panteras Rosa – Frente de Combate à LesBiGayTransfobia, resolveram comemorar o Dia Internacional contra o esquecimento das vitimas da violência sobre as pessoas transgénero (Transgender Day of Remembrance).
A iniciativa visa contribuir para que a memória das pessoas vítimas da transfobia possa prevenir mais violência. Os postais serão distribuídos à comunidade trans, nomeadamente aquela mais desprotegida e que trabalha na rua assim como a informação dos contactos institucionais a que as vítimas de situações de agressão devem recorrer.

Pela primeira vez celebrado em 1998, o dia internacional contra o esquecimento das vitimas da violência sobre as pessoas transgénero (Transgender Day of Remembrance) é assinalado a 20 de Novembro e honra aqueles e aquelas que foram assassinad@s ou agredid@s por serem transexuais, ou por o seu comportamento ou aspecto não "encaixarem" nos conceitos que os agressores têm de de homem ou mulher.
A violência transfóbica não se manifesta apenas quando uma pessoa é espancada (Gisberta, Porto, 2006) ou esfaqueada (Rosa Pazos, Sevilha,2008).
Mostra-se também, por exemplo, quando psicopatas, escondidos atrás da sua farda de polícia, raptam pessoas (e não se trata de detenções porque as mesmas não são registadas e careceriam de fundamento legal) para as despir. Revela-se quando é negado o acesso a tratamento clínico por as pessoas que o solicitam serem transexuais ou transgénero (Victoria Arellano, San Pedro, 2007).
E, não menos importante, essa violência ocorre quando a imprensa"apaga" as vidas trans, usando nomes e pronomes incorrectos, que espezinham as identidades e vivências destas pessoas - como aconteceu, por exemplo, com notícias das mortes de Gisberta e Luna, referidas como «homens» apesar dos seus corpos e da facilidade em encontrar pessoas que podem testemunhar que viviam social e psicologicamente como mulheres.

Lista não-exaustiva de vitimas mortais da violência transfóbica durante 2008

8 Janeiro- Patrick Murphy, 39 anos - Albuquerque, New Mexico, EUA – Vários disparos na cabeça.
22 Janeiro, 20 e poucos anos - Fedra - Kota Kinabalu, Malasia – Encontrada morta numa poça de sangue.
23 Janeiro - Adolphus Simmons, 18,anos - Charleston, North Carolina, UEUA – Vitima de disparos enquanto deitava fora o lixo.
4 Fevereiro - Ashley Sweeney - Detroit, Michigan, vítima de disparo na cabeça
10 Fevereiro - Shanesha Stewart, 25 anos - The Bronx, New York, EUA – Apunhalada até à morte.
12 Fevereiro - Lawrence King, age 15 - Oxnard, California, EUA – Assassinado por um colega estudante.
15 Fevereiro - Cameron McWilliams, age 10 - South Yorkshire, England, United Kingdom – Suicídio por enforcamento.
22 Fevereiro - Simmie Williams, Jr, 17 anos - Fort Lauderdale, Florida, EUA – Assassinado por dois pistoleiros.
15 Março - Luna, 41 anos- Lisboa, Portugal – espancada até à morte e deixada num contentor de lixo
26 Março - Felicia Melton-Smyth - Puerto Vallarta, Mexico - Apunhalada.
1 Julho - Ebony Whitaker, 20 anos - Memphis, Tennessee – Vitima de disparos
11 Julho - Rosa Pazos - Sevilla, Spain – Apunhalada na garganta dentro do seu apartamento
17 Julho - Angie Zapata, 17 anos- Greeley, Colorado, EUA – Espancada até à morte
10 Novembro – Dilek – Ancara, Turquia – Vitima de disparos enquanto estava ao volante do seu carro

18 novembro 2008

E SE OBAMA FOSSE AFRICANO?


por Mia Couto

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.
Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.
Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.
Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: " E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.
Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.
A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.
Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.
No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.
Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.