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13 janeiro 2010

Memória dos Muros. Palestina à conversa com Dana Elborno e Lara Elborno.


Dana Elborno é estudante de jornalismo e activista. Lara Elborno é estudante de direito e também activista. As duas vão estar pelo Porto evem partilhar connosco as suas recentes experiências no campo. À conversa e com fotografias sobre o território da Palestina e em debate sobre a actual situação politica.

Sábado, 16 de Janeiro às 17 horas
Sede do SOS Racismo Porto
Rua do Almada, 254, dtº 3º dtº

12 fevereiro 2009

Guerra em Gaza Sacode o Médio Oriente


GUERRA EM GAZA SACODE O MÉDIO ORIENTE
Que papel para os EUA, a UE e a ONU?


Com a participação de

José Goulão (jornalista)
Pedro Pezarat Correia (professor de geopolítica e geoestratégia)

O debate terá lugar na zona do bar do Instituto Franco-Português, no dia 12 de Fevereiro, quinta-feira, às 21h30.

A entrada é livre. Participe!

Com base no dossiê «Guerra em Gaza sacode o Médio Oriente», publicado no número de Fevereiro do Le Monde diplomatique - edição portuguesa, que inclui os seguintes artigos:

• «Consequências imprevistas da guerra contra os palestinianos» (Alain Gresh) - ver excerto abaixo
• «Quanto maior é a mentira…» (Dominique Vidal)
• «Da simetria assimétrica aos silêncios atroadores» (José Goulão) - ver excerto abaixo
• «Em Gaza, Golias fala hebraico» (Tom Segev)
• «Já só nos resta a perseverança» (Leila Farsakh)
• «Quando Israel e o Irão se aliavam discretamente» (Alastair Crooke)
• «Um lugar em pranto» (John Berger)
• Inédito no sítio Internet do jornal: «Desprezo pelo direito: uma impunidade que perdura (1947-2009). Resoluções da ONU não respeitadas por Israel».

24 janeiro 2009

Hope !


Click here to sign the Open Letter to Obama and download the posters now.

Participem nesta campanha da Jewish Voice for Peace para pressionar a administração do Obama a tomar medidas sérias e concretas no conflito Israel / Palestina. A voz da promessa tem de passar a ser a voz da concretização.

21 janeiro 2009

20 janeiro 2009

A valsa do terror por José Goulão *


As mais genuínas representações da tragédia da guerra são proporcionadas por quem nela alguma vez esteve envolvido. Por isso, a Valsa com Bechir composta pelo realizador e ex-soldado israelita Ari Folman é um hino que alarma as nossas consciências perante a diplomacia do canhão eleita como um culto dos nossos dias.
O leitor terá encontrado nestas palavras de introdução uma sequência de contra-sensos que podem deixá-lo intrigado. Valsa não condiz com a guerra, é obra de músico romântico e não de realizador de cinema com passado militar; a diplomacia deve estar associada à arte de pelejar com a palavra; o hino é um género musical que não se dançava nos aristocráticos salões de Viena e que, além disso, é criado para empolgar, não para alarmar.
São contra-sensos aparentes; a guerra, ao invés, é um contra-senso real e Ari Folman, porque rodopiou nos seus turbilhões sangrentos e captou com sensibilidade crua a degeneração dos seres humanos que a cultivam e levam outros a envolver-se, está na situação ideal para a desmitificar.
Valsa com Bechir, porém, não é uma mensagem, um panfleto, uma arma política, um exercício demagógico. É tão-somente uma obra de arte colocada à mercê dos nossos sentimentos, juízos e sentido crítico, das nossas reflexões e elaborações. É um filme de uma honestidade à prova de bala.
Um dia, entre algumas cervejas num bar de Telavive, um antigo companheiro de armas confidenciou a Ari Folman a recorrência dos seus sonhos envolvendo exactamente 26 cães ferozes. Penetramos assim na invasão israelita do Líbano em 1982 e avançamos através dela, a caminho de Beirute, ao mesmo tempo que Folman vai reconstruindo o puzzle do seu envolvimento nessa guerra através de entrevistas com outros antigos militares – sete verdadeiros e dois de ficção. Nenhum deles, incluindo o cineasta, se lembrava desse episódio das suas existências: o guião é o encontro doloroso de cada um com a memória crua da guerra; e os 26 cães do sonho de Boaz, que naquele tempo alertavam os aldeões do Sul do Líbano para a chegada dos militares invasores, foram abatidos um a um pela arma certeira e sem oposição do soldado, transformando-se depois em assombrações para o resto da sua vida.
Ari Folman escolheu a animação para transmitir o ambiente onírico, em registo de pesadelo, em que se desenvolve todo o filme. A reconstrução dos cenários e ambientes de Beirute naquele escaldante Agosto é de um rigor quase compulsivo; as cores sombrias fazem-nos flutuar entre o sonho e a realidade; os retratos das personagens aproximam-se do realismo e da dureza tão reais e brutais como a guerra, explodindo por fim nas imagens verdadeiras que fecham a acção; a banda sonora é preciosa, desde o Enola Gay – «ontem devias ter ficado em casa» – com que os Orchestral Manoeuvres in the Dark nos instalam nos anos oitenta com as imagens revoltantes de Hiroxima, às baladas de fanfarronice desatoladas dos pântanos do Vietname para ritmar agora as andanças cruéis do Exército de Israel.
A Valsa com Bechir conduz-nos através do outro lado da propaganda oficial israelita perante a guerra. Para enquadrar o filme no tempo poderá recordar-se que Bechir, o nome associado ao título e cujo retrato afixado nas paredes de Beirute pontua a cena mais simbólica da acção, é Bechir Gemayel, então presidente eleito do Líbano numa votação em que o quórum parlamentar foi alcançado através de sequestros de deputados cometidos pelas milícias falangistas cristãs do Líbano, aliadas de Israel. Bechir tinha sólidos contactos com as mais altas instâncias israelitas e a sua «eleição» foi festejada com solene jantar pelos serviços secretos de Israel (Mossad) porque pela primeira vez «um dos seus» tinha chegado a tão elevada posição num país árabe. Projectava-se, a curto prazo, uma aliança entre o Líbano e Israel que iria alterar profundamente as relações de forças no Médio Oriente quando Bechir foi morto na sequência de um atentado bombista contra o quartel-general do seu partido. Responsabilizando os palestinianos pela operação, as milícias falangistas, apoiadas e protegidas pelo exército israelita, dedicaram-se então, durante três dias de Setembro, à chacina sistemática da população desprotegida dos campos de refugiados de Sabra e Chatila, nos subúrbios de Beirute Ocidental. O massacre foi possível porque as forças armadas palestinianas – que tinham defendido Beirute Ocidental dos invasores juntamente com as resistências civis libanesa e palestiniana – já tinham abandonado o Líbano mercê de um acordo internacional alcançado por um negociador norte-americano, Philip Habib, segundo o qual a operação seria fiscalizada por forças internacionais de interposição. Estas saíram do terreno antes do prazo estipulado e logo que o último soldado palestiniano embarcou as tropas de Israel fizeram o que lhes estava vedado pelo acordo: entrar em Beirute Ocidental. É neste contexto que se realiza a chacina dos refugiados palestinianos de Sabra e Chatila. Ari Folman e os seus companheiros de armas estavam entre os soldados israelitas que montaram guarda, testemunharam e até iluminaram, porque nem a noite travou os carniceiros, o assassínio a sangue frio de centenas e centenas de seres humanos indefesos. A Mossad e a Central Intelligence Agency (CIA) sabiam, porém, que o atentado contra Bechir Gemayel fora cometido por sectores ligados aos serviços secretos sírios e não por palestinianos.
O filme A Valsa com Bechir incide sobre acontecimentos de 1982 mas tem uma actualidade gritante. Começou a nascer nos tempos do grande fracasso militar israelita de 2006, também no Líbano, exibe-se em Lisboa e corre mundo enquanto este assiste à tragédia de Gaza. É, afinal, um filme sobre 30 anos de guerra e que, olhado com a atenção que requer, transporta um conjunto de importantes certezas: não há uma solução militar para o conflito entre Israel e os palestinianos; as principais vítimas das operações militares israelitas são sempre os civis – em Gaza ou Jenine, como em Sabra e Chatila –; as instâncias mundiais com poder de decisão têm sido de uma ineficácia absoluta pelos sucessivos ciclos de violência e correspondentes tragédias humanitárias; e a geração israelita seguinte à de Ari Folman e seus companheiros de armas será igualmente afectada pelo stress pós-traumático e outros graves distúrbios de guerra.

* Jornalista
Via Le Monde Diplomatique Portugal

13 janeiro 2009

Israel fora de Gaza !

12 janeiro 2009

11 janeiro 2009

Mais uma voz pela Paz !

08 janeiro 2009

Noite Livre Pela Palestina


8 de Janeiro às 22h. no Púcaros bar, na cidade do Porto
Sessão publica,por iniciativa da secção norte da Associação José Afonso (a que se juntam outras organizações, entre elas o Tribunal-Iraque), subordinada ao tema “Palestina: o crime está em Israel”.
Púcaros Bar (Rua de Miragaia, 55, Porto - frente à Alfândega, debaixo das arcadas).

07 janeiro 2009

GAZA «Hipocrisia sangrenta»



por JOSÉ GOULÃO


Altos responsáveis de países que se consideram faróis da «civilização» multiplicam apelos à «contenção» e ao
«cessar-fogo» em Gaza, como quem procura assim cumprir uma obrigação perante o «agravamento da crise» no Médio Oriente. A hipocrisia de presidentes, ministros, diplomatas ou porta-vozes é tão óbvia como de costume, mas ainda consegue ser chocante tendo em consideração a tragédia que vitima mais de um milhão de meio de pessoas amontoadas num pequeno território inóspito aferrolhado entre Israel, o Egipto e o Mediterrâneo.
Tais apelos baseiam-se na objectividade de um pretenso distanciamento entre as «partes em conflito», assim se exigindo uma rigorosa simetria de comportamentos como numa guerra convencional entre exércitos clássicos. Simetria, pois, entre civis indefesos e as forças armadas que ocupam o quarto lugar no ranking das mais poderosas do mundo; entre ocupados e ocupantes; entre morteiros mais ou menos artesanais e o poder de fogo dos F-16 e dos tanques de última geração; entre comunidades famintas sujeitas há anos a um feroz bloqueio de bens essenciais e uma nação estruturada apoiada sem limites pelo mais poderoso país do planeta; entre as vítimas e respectivos descendentes de uma limpeza étnica e os ses autores.
O Hamas quebrou a trégua e tem de pagar, devendo desde já sujeitar-se ao regresso ao cessar-fogo faça o inimigo o que fizer, sentenciam os diplomatas civilizados. Trégua que verdadeiramente nunca existiu, uma vez que foi desde logo desrespeitada pelo Estado de Israel ao violar um dos seus pressupostos essenciais: o fim do bloqueio humanitário a Gaza. Durante os últimos seis meses o cerco não apenas se manteve como se apertou.
Como movimento terrorista, o Hamas tem que pagar, dirão ainda e sempre os civilizados senhores do poder de distinguir os que são e os que não são terroristas, do mesmo modo que lançam guerras contra possuidores de armas de extermínio que nunca existiram.
O Hamas, porém, praticamente não era nada quando se iniciou a primeira Intifada palestiniana, em fins de 1988. Hoje, o papel dos serviços secretos de Israel na criação efectiva de um movimento islâmico, o Hamas, para dividir a resistência nacional palestiniana dirigida pela Organização de Libertação da Palestina (OLP) já nem é sequer um segredo de Polichinelo. Os interessados em aprofundar o assunto poderão começar por pesquisar através da obra de Robert Dreyfuss e começar a desenrolar o novelo. Descobrirão elementos muito interessantes e com flagrante actualidade. A verdade é que de grupinho divisionista e terrorista o Hamas se transformou num movimento que, tirando dividendos dos fracassos sucessivos do chamado processo de paz, boicotado por Israel e Estados Unidos e assumido pela Fatah como única opção estratégica, conseguiu ganhar as eleições parlamentares palestinianas em 2006. O Hamas cresceu com as estratégias militaristas em redor, como os talibãs no Afeganistão (agora controlando zonas a menos de 50 quilómetros de Cabul) ou o Hezbollah no Líbano, fruto das invasões israelitas da década de oitenta.
Reconhecer que o Hamas é agora uma realidade evidente no problema israelo-palestiniana não significa fraqueza, simpatia ou conivência com o terrorismo. É, prosaicamente, uma simples questão de senso comum.
As eleições de 2006, proclamaram os observadores internacionais, muitos deles oriundos das terras «civilizadas», foram livres e justas. Logo, ao Hamas coube formar governo – diz-se que é assim que funciona a democracia.
Engano puro. A chamada «comunidade internacional» decidiu não reconhecer o governo escolhido pela maioria dos palestinianos; nem sequer aceitou uma aliança entre o Hamas e a Fatah, que praticamente fazia o pleno da vontade dos eleitores. Pelo contrário, também não são segredo as diligências da administração de George W. Bush e do governo israelita de Ehud Olmert para lançar a guerra civil entre as duas principais organizações palestinianas – chegando, para isso, a fornecer armas à Fatah – fazendo simultaneamente por ignorar o acordo entretanto estabelecido pelos dois movimentos sob mediação do Egipto e da Arábia Saudita.
Este processo conduziu à divisão palestiniana: a Fatah na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, dependente do que Israel lhe permite ou não fazer; e o Hamas controlando Gaza, território dos seus principais feudos. Daí ao bloqueio a Gaza e, agora, à invasão, foi um pequeno salto.
O massacre está em curso, assistindo-se na comunicação social a tão curiosos como ridículos esforços para distinguir entre vítimas civis e militares. Em Gaza, para que conste, não há militares, a não ser os invasores. Existem restos da polícia autonómica, militantes do Hamas armados e organizados como milícias. O resto é milhão e meio de desempregados, famintos e humilhados. Tal é o inimigo de Israel que lançou alguns morteiros, por exemplo contra a cidade de Asqelon, que em 1948 se chamava Al-Majdal e era uma aldeia árabe cuja população, vítima da limpeza étnica em que assentou a criação do Estado de Israel, se refugiou em Gaza.
Os dirigentes de Israel asseguram que os «civis» serão poupados durante a invasão. Tal como aconteceu em 1982 em Beirute, onde os militares comandados por Ariel Sharon, fundador do partido de Ehud Olmert e Tzipi Livni, destruíram o sector ocidental da cidade, acabando por patrocinar os massacres de Sabra e Chatila. Ou em 1996, quando Shimon Peres, actual presidente israelita, foi responsável pelo massacre de Canan, também no Líbano, e mesmo assim perdeu as eleições parlamentares.
Gaza, ainda assim, será diferente de Sabra e Chatila. Agora, os soldados israelitas sujam mesmo as mãos com o sangue das populações indefesas – salpicando inevitavelmente os hipócritas que os defendem.

in Monde Diplomatique Portugal

05 janeiro 2009

A liberdade já passou por lá....


... e viva a libertação dos povos !
O Indymedia Israel já foi fechado.

04 janeiro 2009

FIM AO MASSACRE DE GAZA ! - Vozes da Europa que NÃO se calam!


POR UM ANO NOVO SEM CRIMES DE GUERRA ISRAELITAS!

No momento em que festejamos a passagem de ano com fogos de artifício na cidade de Lisboa, o povo de Gaza vive sob o fogo real da artilharia e da aviação israelita.
Nos primeiros dez minutos da ofensiva morreram mais de 200 pessoas e ficaram feridas ou estropiadas mais de 600. Alegadamente, tudo isto era resposta "proporcional" aos morteiros artesanais palestinianos, que em 7 anos mataram 20 israelitas. Na verdade, o bombardeamento israelita é um novo passo na destruição do povo palestiniano: neste momento já há outras tantas centenas de mortos e milhares de feridos; prosseguem os ataques a uma população que não tem para onde fugir nem como se defender, já que a Faixa de Gaza tem vivido sob um bloqueio que priva os seus habitantes de água potável, de energia, de alimentos, de medicamentos.
O cessar-fogo que os EUA, a UE e a ONU exigem aos palestinianos seria, nessas condições, a morte lenta para um povo cercado. Se alguém aqui está a defender-se, são os palestinianos de Gaza, que elegeram democraticamente o seu governo e a quem o Estado de Israel tem invadido, ocupado e roubado as terras, as propriedades e as casas.

Não vamos calar-nos diante dos crimes de guerra e do abuso de força. Apelamos à participação de todos e todas nas acções que estão a ser preparadas por várias organizações em Lisboa:

5 de Janeiro a partir das 18h
no Largo de S. Domingos, junto ao memorial às vítimas da intolerância

8 de Janeiro a partir das 18h
em frente à embaixada israelita, na Rua António Enes, nº 16 (a S. Sebastião)



Esta última iniciativa é apoiada por:
Associação Abril - Bloco de Esquerda - CGTP - Colectivo Abu-Jamal - Colectivo Revista Rubra - Comité de Solidariedade com a Palestina - CPPC - Fórum pela Paz - MDM - Monthly Review - MPPM - Plataforma Guetto - Política Operária - Shift - SOS Racismo - SPGL - Tribunal do Iraque

29 dezembro 2008

Gaza: «choque e pavor» por Alain Gresh (inédito)


Sábado, dia 27 de Dezembro, a aviação israelita fez raides assassinos contra Gaza. De acordo com as autoridades israelitas, os lugares visados eram centros de comando do Hamas e das suas forças armadas. O balanço deste dia eleva-se a mais de 270 mortos e várias centenas de feridos. Numerosos civis foram atingidos, como relata o correspondente do The New York Times em Gaza, Taghreed El-Khodary («Israeli Attack Kills Scores Across Gaza»):

«No hospital de Shifa, numerosos corpos jaziam na morgue, esperando que a sua família os viesse identificar. Muitos estavam desmembrados. No interior, a família de um bebé de cinco meses que tinha sido gravemente ferido na cabeça por um rebentamento de obus. Com o hospital sobrelotado, o seu pessoal parecia incapaz de prestar ajudar. Na esquadra de polícia de Gaza, pelo menos quinze agentes de trânsito que estavam a treinar foram mortos. Tamer Kahruf, 24 anos, um civil que trabalhava numa obra de construção civil em Jabaliya, no Norte de Gaza, explica que os seus dois irmãos e o seu tio foram mortos sob os seus olhos quando a aviação israelita bombardeou um posto de segurança nos arredores. Kahruf está ferido e sangra da cabeça.»

Vítima desde há várias semanas de um bloqueio total, Gaza (e os seus médicos, evidentemente) está impossibilitada de cuidar dos feridos em condições normais.

O sítio Internet Free Gaza recolheu numerosos testemunhos de estrangeiros e de palestinianos no terreno que dão uma ideia da dimensão dos ataques.

O Hamas ripostou disparando várias dezenas de mísseis sobre Israel. Um israelita foi morto e vários foram feridos em Netivot e Ashkelon.

No domingo, dia 28, de manhã, as agências de imprensa anunciavam que o exército israelita estava a concentrar as suas tropas terrestres à volta de Gaza. Os bombardeamentos tinham sido retomados, tendo os raides israelitas atingido desta vez, designadamente, uma mesquita e uma estação de televisão. De acordo com o ministro da Defesa Ehud Barack, em caso algum punham a hipótese de um cessar-fogo: «É necessário mudar as regras do jogo»Israel resumes Gaza bombardment », Al-Jazeera English, 28 de Dezembro).

Na sexta-feira, Israel tinha excepcionalmente reaberto três pontos de passagem e deixado passar várias dezenas de camiões. Segundo um comentador israelita que defende o ponto de vista do seu governo, esta abertura fazia parte de actos de «diversão e de camuflagem adoptados pelo governo nos últimos dias» para apanhar o Hamas de surpresa. A escolha de um dia de sabat também. O mesmo comentador, Ron Ben-Yishal, explicou a 27 de Dezembro no sítio Internet a estratégia israelita: «Shock Tretment in Gaza».

«O que começou em Gaza no sábado de manhã é aparentemente uma acção limitada, visando obter um cessar-fogo a longo prazo entre o Hamas e Israel, em termos favoráveis a Israel. Estes termos incluiriam o fim dos ataques com morteiros e mísseis; o fim dos ataques terroristas através da fronteira de Gaza; negociações séria para a libertação de Gilad Shalit; e a suspensão do reforço militar do Hamas. O meio para garantir os objectivos mencionados é, literalmente, um “tratamento de choque”. Assim, o Hamas já não será capaz de tomar a iniciativa, e será Israel que tomará a iniciativa e mostrará ao Hamas que vai responder de forma “desproporcionada” de cada vez que os habitantes do Negev Ocidental forem bombardeados. Nesta fase, não falaremos do derrube do regime do Hamas, mas sobretudo da formulação de novas regras do jogo e de um esforço para pressionar o Hamas a aceitar um novo cessar-fogo.»

No sítio Internet do diário Haaretz, Amos Harel assinou um comentário intitulado «IAF strike on Gaza is Israel’s version of ‘shock and awe’».

«Os acontecimentos ao longo da frente Sul que começaram sábado de manhã, às 11h30, parecem-se muito com uma guerra entre Israel e o Hamas. É difícil dizer onde (geograficamente) e por quanto tempo vai prosseguir a violência antes de uma intervenção da comunidade internacional com vista à suspensão das hostilidades. Todavia, a salva de abertura israelita não é uma operação “cirúrgica” ou um ataque limitado. É o assalto mais violente a Gaza desde que este território foi conquistado em 1967.»

Esta ofensiva coloca-se também no quadro, se assim se pode dizer, da campanha eleitoral israelita. No dia 10 de Fevereiro de 2009 terão lugar eleições gerais e cada um dos candidatos faz apostas ousadas. Mesmo o partido de esquerda Meretz apelou, antes do desencadeamento do ataque israelita, a uma acção armada [1]. Em contrapartida, o Gush Shalom, a organização de Uri Avnery, condenou firmemente a acção israelita e os ditos apoiantes da paz, como Amos Oz, que a apoiam. Lembremos que em Fevereiro de 1996, o primeiro-ministro de então, Shimon Peres, tinha lançado uma ofensiva contra o Líbano («Uvas da cólera») – que ficou célebre pelo massacre de Cana, com uma centena de refugiados mortos – na esperança de ganhar as eleições que se preparavam. Resultado: Benyamin Netanyahu ganhou e tornou-se primeiro-ministro. No sábado à noite, um milhar de pessoas manifestou-se em Telavive contra os ataques israelitas.

É interessante notar que os comentadores israelitas, como a maior parte dos comentadores da imprensa ocidental, não assinalam a razão mais importante do falhanço do cessar-fogo de seis meses, que durou de 19 de Junho até 19 de Dezembro. Como nos confirmou Khaled Mechaal, chefe da comissão política do Hamas na semana passada, o acordo compreendia, para além do cessar-fogo, o levantamento do bloqueio de Gaza e um compromisso do Egipto em abrir a passagem de Rafah. Ora, não só Israel violou o acordo de cessar-fogo lançando um ataque que matou várias pessoas no dia 4 de Novembro, como os pontos de passagem não foram reabertos senão parcialmente, e o bloqueio foi mesmo reforçado nas últimas semanas. A população, que era largamente favorável ao acordo em Junho, exige hoje uma clarificação: ou a guerra ou a abertura incondicional dos pontos de passagem e o fim da chantagem permanente que permite a Israel matar lentamente à fome (e privar de cuidados de saúde) a população. Esta está certa quando acusa Israel, como relata o sítio Internet da Al-Jazeera em inglês: «Gazans: Israel violated the truce» (Mohammed Ali).

O presidente Nicolas Sarkozy reagiu com um comunicado. «O presidente da República exprime a sua mais viva preocupação perante a escalada da violência no Sul de Israel e na Faixa de Gaza. Condena firmemente as provocações irresponsáveis que conduziram a esta situação, assim como o uso desproporcionado da força. O presidente da República deplora as importantes perdas civis e exprime as suas condolências às vítimas inocentes e às suas famílias. Pede a paragem imediata dos lançamentos de mísseis sobre Israel, assim como dos bombardeamentos israelitas sobre Gaza, e apela à moderação de ambas as partes. Lembra que não existe solução militar em Gaza e pede a instauração de uma trégua duradoura.»

Num comunicado publicado na sequência do seu encontro com Abul Gheit, ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros, Bernard Kouchner reiterou as mesmas posições, acrescentando todavia que a França pedia «a reabertura dos pontos de passagem», um ponto ignorado por Sarkozy.

A senadora Nathalie Goulet, da UMP (União para um Movimento Popular), pertencente à Comissão dos Negócios Estrangeiros, publicou a declaração seguinte: «Como sempre, Israel faz um uso excessivo da força perante a indiferença da comunidade internacional, que deixa degradar-se a situação em Gaza há meses e meses. Não há que culpar nem o Irão nem o Hamas, mas a inércia da comunidade internacional, o apoio sistemático da política americana a Israel e a intolerável “atitude dupla” das organizações internacionais. Israel viola desde há quarenta anos dezenas de resoluções da ONU, sem embargo, sem sanções e com toda a impunidade. A situação é insuportável para os habitantes civis de Gaza desde há anos. A situação tem vindo a degradar-se, com o seu cortejo de humilhações e uma sede de vingança. Olho por olho tornará o mundo cego, disse Gandi. Há já demasiado, demasiado tempo que estamos cegos e surdos em relação ao sofrimento do povo palestiniano.»

Os ataques também suscitaram as condenações habituais dos países árabes. Uma reunião de emergência da Liga Árabe terá tido lugar no domingo. O Egipto declarou que acusava Israel como responsável; esta afirmação é talvez uma resposta a informações da imprensa israelita que afirmam que o Cairo teria dado luz verde a uma operação limitada a Gaza visando derrubar o Hamas («Report: Egypt won’t object to short IDF offensive in Gaza», por Avi Issacharoff, Haaretz, 25 de Dezembro). Um outro artigo do Haaretz publicado no dia 28 de Dezembro, e que descreve a campanha de desinformação do governo israelita antes da ofensiva de Gaza, explica que Tzipi Livni, a ministra dos Negócios Estrangeiros, tinha informado o presidente Mubarak do ataque («Disinformation, secrecy and lies: How the Gaza offensive came about», por Barak Ravid). A cumplicidade do Cairo é confirmada por um relatório da Y-net, «Egypt lays blame on Hamas», por Yitzhak Benhorin (27 de Dezembro), que retoma as declarações do ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros Abul Gheit, explicando que o seu governo tinha prevenido o Hamas e que os que não tinham escutado estes avisos assumiam a responsabilidade da situação (sobre as razões da política egípcia, ler esta entrevista com Khaled Mechaal).

Nestas condições, é duvidoso que estas condenações árabes conduzam a resultados. A única iniciativa espectacular e eficaz que o Cairo poderia tomar seria reabrir a ponte de passagem de Rafah, o que não quer fazer de modo nenhum – até agora, limitou-se a abrir a passagem aos feridos palestinianos. E, de acordo com a agência de imprensa Maan, nenhum ferido se apresentou, afirmando os médicos palestinianos que o transporte dos feridos graves é impossível, a menos que o Egipto envie helicópteros («Not one Gazan at Rafah crossing despite Egyptian promise to treat wounded, country to send medical supplies instead», 27 de Dezembro).

Para lá do bloqueio, é necessário lembrar que:

• a recusa da comunidade internacional em reconhecer o resultado das eleições legislativas de Janeiro de 2006, que deram a vitória aos candidatos do Hamas, contribuiu para a escalada israelita; assim como a recusa de admitir realmente o acordo de Meca entre a Fatah e o Hamas;

• a União Europeia e a França em particular, quaisquer que sejam a suas tomadas de posição, encorajam concretamente a política israelita, designadamente recompensando Israel pela melhoria das relações entre Israel e a União Europeia, apesar das violações repetidas por Israel de todos os compromissos (diminuição do número de check-points, desmantelamento dos colonatos «ilegais», etc.);

• finalmente, lembremos esta verdade, cuja evidência é demasiadas vezes ocultada: a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental estão ocupadas desde há mais de quarenta anos. É esta ocupação que é a fonte de toda a violência no Médio Oriente.

Notas:

[1] «Leftist Meretz issues rare call for military action against Hamas», por Roni Singer-Heruti, Haaretz, 25 de Dezembro

Fonte: Le Monde Diplomatique - Portugal

25 maio 2008

Movimento pelos direitos do povo palestino e pela paz no Médio Oriente


Na próxima segunda feira, dia 26 de Maio, no Teatro Cinearte, em Santos, a partir das 21 horas, realiza-se uma sessão pública que assinala os 60 anos da Nabka - o nome que os árabes dão à primeira grande expulsão de palestinianos das suas casas e terras em 1948.

Participam:
- José Saramago (Prémio Nobel da Literatura);
- Randa Nabulsi (delegada-geral da Palestina em Portugal);
- Mohammad Barakeh (deputado ao Parlamento de Israel),
- Bruno Dias (deputado ao Parlamento de Portugal);
- Miguel Portas (eurodeputado);
- Alan Stoleroff (investigador e professor universitário).
- Isabel Allegro Magalhães
- Mário Ruivo

Leitura de poemas palestinos por Maria do Céu Guerras e João D' Ávila.
Teatro Cinearte/A Barraca - Lg. de Santos, 2, em Lisboa

20 dezembro 2007

Operação Presépio Seguro