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11 março 2009

Dia Internacional da Mulher (Fora de Horas) no SOS Racismo Porto


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Sobre o filme:

Segundo as crenças hindus, quando uma mulher se casa, converte-se em metade do marido. Portanto, se ele morre, considera-se que metade da mulher também morre. Os livros sagrados dizem que uma viúva tem três opções: casar-se com o irmão mais jovem do marido, arder com o marido ou levar uma vida de total abnegação. A família de Chuyia, uma criança de oito anos que se torna viúva no próprio dia do casamento, decide por esta última opção. Chuyia vai viver para um lar de viúvas, privada de qualquer regalia social, sonho ou esperança.
Água, o mais recente filme de Deepa Mehta, completa a trilogia da realizadora indiana, iniciada pelos filmes "Terra" e "Fogo".
A história decorre em 1938, na Índia colonial, em pleno movimento de emancipação liderado por Mahatma Gandhi. No lar das viúvas, liderado pela desprezível Madhumati, que entrega as mulheres mais jovens para a prostituição, em troca de marijuana, Chuyia conhece a doce Kalyani. As duas tornam-se amigas e cúmplices na dor e no desespero.
A água é o elemento da natureza mais constante neste filme. É na orla do rio que as viúvas se purificam e rezam. É aqui que muitas delas decidem morrer. É também junto ao rio que Kalyani conhece Narayan, um jovem idealista, seguidor de Gandhi, pertencente à casta social mais alta da Índia. Estudante de direito e entusiasta da revolução protagonizada por Gandhi, o jovem está disposto a quebrar os limites impostos por uma tradição secular. Tendo como mensageira a pequena Chuyia, o amor proibido entre Kalyani e Narayan poderá florescer.
Deepa Mehta comoveu-se com a situação precária das viúvas indianas. Segundo os censos de 2001, existem cerca de 34 milhões de viúvas neste país, a viverem em condições miseráveis, de acordo com um texto religioso que conta com mais de dois mil anos de vida.
Depois de um grupo de fundamentalistas hindus terem destruído por completo o cenário onde a realizadora estava a filmar, na Índia, Deepa Mehta recriou a cidade de Varanasi e o rio Ganjes no Sri Lanka. No elenco, conta-se com a beleza de Lisa Ray, com a super estrela de Bollywood, John Abraham, e com a sensibilidade e ternura de Sarale. Esta a criança de sete anos, nascida no Sri Lanka, descoberta por Deepa Metha, que nunca tinha actuado antes, não sabia uma palavra de indiano ou de inglês. Aprendeu as palavras foneticamente, com a ajuda de um tradutor.
Terminar "Água" foi difícil, mas era uma missão pessoal para a realizadora.

03 fevereiro 2009

Conferência das Quintas - A condição feminina no Portugal recente


As Conferências das Quintas são uma iniciativa quinzenal de debate co-organizada pelo Le Monde diplomatique - edição portuguesa e o Grémio de Instrução Liberal de Campo de Ourique (GILCO). As conferências têm lugar no colégio do GILCO, em Campo de Ourique. O colégio do GILCO fica no Lrg. Dr. António Viana.

A próxima conferência, subordinada ao tema «A condição feminina no Portugal recente», é já na quinta-feira, dia 5 de Fevereiro, pelas 21h30, e contará com a participação de Helena Neves.

A entrada é livre. Participe!

28 dezembro 2008

Nós feministizámo-nos. E tu?


Na tentativa de incrementar uma mudança nas sociedades contemporâneas, reivindicamos um processo de feministização dos domínios político, económico e sociocultural. Exigimos a erradicação das práticas discriminatórias que transformam as mulheres em indivíduos de segunda. Levantamos a voz pela consecução da Igualdade de Género.

A militância feminista trouxe conquistas indubitáveis para a arena dos direitos das mulheres ocidentais, reflectidas designadamente no direito ao voto, à propriedade e ao divórcio, no acesso ao ensino e ao mercado de trabalho, na autonomia sobre o seu corpo. Contudo, a igualdade entre homens e mulheres não existe em nenhuma parte do planeta, prevalecendo repudiáveis violações dos direitos fundamentais.

Em todo o mundo, um bilião de mulheres, ou uma em cada três, foram violadas, espancadas ou sofreram algum tipo de violência. Uma em cada cinco mulheres será vítima ou sofrerá, pelo menos, uma tentativa de violação durante a sua vida. Os crimes de honra vitimam cinco mil mulheres anualmente, tendo particular incidência na Índia, Brasil, Marrocos, Paquistão, Turquia, Irão e Reino Unido. Em todo o mundo, faltam cerca de 60 milhões de mulheres devido ao feticídio e infanticídio. As mulheres jovens constituem 60% das vítimas de violência sexual em todo o planeta. Em contextos de conflito bélico, a violência sexual contra mulheres é usada como forma de intimidação, humilhação e vingança. Na Serra Leoa, por exemplo, entre 50 e 64 mil mulheres foram violadas por grupos armados. Todos os anos, quatro milhões de mulheres, homens e crianças são vítimas de tráfico, encontrando como destinos a prostituição, trabalho escravo, pornografia e mendicidade. Estima-se que dois milhões de crianças com idades compreendidas entre os 4 e os 12 anos sejam, anualmente, vítimas da Mutilação Genital Feminina. As mulheres representam 70% dos pobres em todo o mundo, realizam 2/3 do trabalho e auferem apenas 10% dos rendimentos mundiais. Embora as mulheres constituam a maioria do eleitorado, 84% dos parlamentares são homens.

Feministizemo_nos para:

1. Alargar a participação das mulheres na arena política, tornando-as vozes activas na mudança social;

2. Apostar na educação para a saúde, conscientizando para os efeitos nocivos de comportamentos de risco ao nível da sexualidade, dieta alimentar e consumo de aditivos;

3. Assegurar a vivência da sexualidade isenta de opressão, repressão ou coacção;

4. Banir o assédio moral e sexual das relações interpessoais, especialmente as de carácter laboral;

5. Circunscrever a violência física, psicológica e sexual contra homens e mulheres, promovendo a prevenção, educação e sensibilização dos indivíduos;

6. Combater a homofobia, transfobia, racismo, xenofobia, e misoginia;

7. Combater a feminização do VIH/Sida;

8. Combater a selecção pré-natal do sexo dos bebés, ritualizada através do feticídio;

9. Combater o casamento forçado de milhares de crianças e mulheres;

10. Digladiar contra a reprodução dos estereótipos de género na publicidade e nos média, incentivando a feministização das práticas jornalísticas;

11. Educar para a erradicação do duplo padrão de sexualidade, que julga de modo diferente iguais comportamentos em função do sexo a que o individuo pertence;

12. Erradicar o patriarcado das sociedades contemporâneas, cultivando, ao invés, uma maior equidade e justiça;

13. Erradicar os crimes de honra (apedrejamento, ataques com ácido, espancamento, …) que vitimam milhares de mulheres;

14. Erradicar práticas culturais nocivas e extremamente violentas como a Mutilação Genital Feminina;

15. Exigir a reformulação dos sistemas judiciais corrosivos dos direitos individuais;

16. Fomentar uma distribuição justa nas tarefas domésticas, tornando as funções de housekeeper e childcare em incumbências de ambos os sexos;

17. Garantir o acesso ao sistema de ensino de rapazes e raparigas, promovendo a sua participação em espaços culturais e recreativos;

18. Garantir o acesso das mulheres à propriedade e ao controlo dos bens de raiz;

19. Libertar o corpo feminino das determinações políticas e sociais;

20. Nivelar as remunerações de mulheres e homens que desempenham as mesmas funções, fazendo singrar a máxima ‘salário igual para trabalho de valor equivalente’;

21. Pelejar contra a esterilização forçada e outras práticas reprodutivas ofensivas dos direitos das mulheres;

22. Pôr fim ao tráfico de seres humanos que escraviza milhares de homens, mulheres e crianças em todo o mundo;

23. Promover a participação equitativa de homens e mulheres no mercado de trabalho, garantindo iguais condições de acesso, formação, permanência e ascensão;

24. Recusar a transformação do corpo da mulher num instrumento bélico;

25. Reduzir a taxa de mortalidade materno-infantil, defendendo uma melhor distribuição dos métodos de contracepção, a despenalização do aborto, uma assistência médica qualificada e cuidados de obstetrícia;

26. ….

Nós feministizámo_nos. E tu?

25 novembro 2008

Grita. Grita mais alto !


2008 tem sido um ano negro da violência doméstica em Portugal. Homicídios e tentativas de homicídio ultrapassam os números dos últimos 5 anos. Apesar de toda a consciencialização social, os dados apontam para um agravamento do problema. Urge, pois, enfrentá-lo com respostas mais eficazes.

Neste sentido, a UMAR lança uma campanha dirigida aos homens para que estes se solidarizarem com as vítimas de violência, retirarem o apoio aos agressores e se demarcarem publicamente dos seus actos.

A campanha "Eu Não Sou Cúmplice" tem o objectivo de mobilizar as energias masculinas para esta batalha dos direitos humanos que está longe de estar ganha.

Se repudia toda e qualquer violência contra as mulheres, comprometendo-se na consciencialização e intervenção social da sociedade para a igualdade de género e promoção de uma cultura de não violência;

Se apela a todos os homens que não sejam cúmplices e testemunhas passivas da violência contra as mulheres, faça-se ouvir:

Assine! Divulgue!

27 setembro 2008

BEM VIND@S AO SÉCULO XXI - Aborto deixa de ser falha grave no novo Código Deontológico dos médicos


O aborto praticado pelos médicos e a eutanásia deixaram de ser considerados falhas graves no novo Código Deontológico da Ordem dos Médicos (OM) hoje aprovado. O documento anterior referia que "constituem falta deontológica grave” ambas as práticas.
O novo documento, hoje aprovado no Plenário dos Conselhos Regionais que decorreu no Porto, estabelece que a interrupção da gravidez pode ser praticada desde que não impeça "a adopção de terapêutica que constitua o único meio capaz de preservar a vida da grávida ou resultar de terapêutica imprescindível instituída a fim de salvaguardar a sua vida".
A actual lei, cuja regulamentação entrou em vigor a 15 de Julho de 2007, permite a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) até às dez semanas. O Código hoje aprovado prevê também que "ao médico é vedada a ajuda ao suicídio, a eutanásia e a distanásia".
Quanto à objecção de consciência o novo documento impõe novos procedimentos, sublinhando que "deverá ser comunicado à Ordem, em documento registado, sem prejuízo de dever ser imediatamente comunicada ao doente ou a quem no seu lugar prestar o consentimento". Segundo o novo Código, "a objecção de consciência não pode ser invocada quando em situação urgente e com perigo de vida ou grave dano para a saúde, se não houver outro médico disponível a quem o doente possa recorrer".
Tanto o actual como o anterior texto referem que "o médico tem o direito de recusar a prática de acto da sua profissão quando tal prática entre em conflito com a sua consciência, ofendendo os seus princípios éticos, morais, religiosos, filosóficos ou humanitários".

in Público

16 setembro 2008

Efeito AXE mas para mulheres....


Será que o efeito AXE nas mulheres é igual ao efeito nos homens?

30 junho 2008

Amy Winehouse a mostrar quanto vale....


Num vídeo que junta a interpretação de "Mr. Jones" e "Rehab", é possível ver Amy Winehouse a dar umas quantas cotoveladas num alvo não identificado (sensivelmente ao minuto 4.25).
Segundo a organização do festival, Amy Winehouse estava apenas a defender-se, depois de um espectador mais atrevido ter tentado tocar nos seus seios.

Amy a mostrar que de frágil fica só mesmo a sua imagem, está de volta a voz e o estilo e humor que lhe é tão característico - e que seja mesmo para ficar !

24 maio 2008

A evolução das pequenitas


Os tempos mudam e o sexismo só muda de cor !

13 março 2008

Queixas de violência doméstica aumentam....

O número de denúncias de violência doméstica continua a aumentar de ano para ano, ao contrário de outro tipo de crimes. Os dados constam do relatório de segurança interna de 2007, a que o Diário de Notícias teve acesso. Em 2007,registaram-se quase 22 mil crimes de violência doméstica, um aumento de 6% relativamente ao ano anterior, sendo que 80% das vítimas são mulheres. Para o sub-intentendente Luís Elias, do departamento de operações nacional da PSP, "este aumento não só tem a ver com a maior sensibilização das vítimas para os seus direitos, como reflecte também um investimento grande na formação dos elementos que trabalham esta área. A polícia investiu muito para que o atendimento fosse realizado de outra forma e as situações bem encaminhadas". Estes dados reflectem aquilo que já tinha sido confirmado ao DN, na semana passada, pelo responsável do Gabinete Coordenador de Segurança (GCS), tenente-general Leonel de Carvalho: "A violência doméstica é uma das excepções neste relatório, já que foi dos crimes que mais aumentou." O mesmo aconteceu em 2006, em que a subida relativamente a 2005 ainda foi mais significativa, contrariando a tendência de descida da criminalidade geral e até da violenta. As mulheres constituem o maior grupo de vítimas, mais de 80%. Os homens não atingem ainda os 15% deste total. Contudo, em quase 90% dos casos são o elemento agressor. Os idosos começam a fazer parte dos grupos que mais sofrem com este tipo de violência. Apesar do grande número de queixas, a média das detenções da PSP é de 111 por ano, sendo que grande parte dos detidos acaba por sair em liberdade com termo de identidade e residência.

22 fevereiro 2008

O feminismo português ficou hoje mais pobre...


Madalena Barbosa foi fundadora, em 1974, do Movimento da Libertação das Mulheres, a primeira associação feminista em Portugal. Foi também das primeiras mulheres a empenhar-se activa e publicamente na luta pela despenalização do aborto e fez parte da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda. Hoje, sexta-feira às 16h, parte o seu corpo da casa mortuária Santa Joana (Av. EUA) para o cemitério do Alto de São João, onde será cremado pelas 23h. Também no mesmo dia, às 18h, é-lhe prestada homenagem no lançamento do seu livro - Que força é essa - na Fábrica de Braço de Prata, Poço do Bispo.

17 dezembro 2007

Portugal em números


5000
é a estimativa citada pela Associação para o Planeamento da Família para mulheres traficadas ou sequestradas em Portugal todos os anos.

20 novembro 2007

Neste útero mando eu !


Deviam ter sido também assim as faixas e as inscrições nas barrigas que pulularam pelos media... senão vejam o artigo da Fernanda Câncio do DN do dia 16 de Novembro:

Imagine que, sendo mulher, deseja laquear as trompas. Ou que, sendo homem, quer fazer uma vasectomia. Lá terá as suas razões, sejam elas quais forem, e dirige-se a um médico competente para a dita operação. Não se surpreenda, no entanto, se este lhe fizer saber que para proceder à cirurgia tem de lhe fazer prova da autorização do seu cônjuge. Acha estranho? Acha inaceitável? Inconstitucional? Ilegítimo? Ridículo? Antiético? Pois este requisito está claramente plasmado no número 3 do artigo 54.º do Código Deontológico dos médicos portugueses: "A esterilização reversível é permitida perante situações que objectivamente a justifiquem, e precedendo sempre o consentimento expresso do esterilizado e do respectivo cônjuge, quando casado."
Todo um programa, este artigo 54º. Num código em que se frisa o dever da confidencialidade e o de "respeitar escrupulosamente as opções religiosas, filosóficas ou ideológicas e os interesses legítimos do doente", determina-se que se exija a um paciente autorização de outra pessoa para tomar uma decisão fundamental sobre a sua saúde e a sua vida. Mais: assume-se que é ao médico, não à pessoa que quer ser esterilizada, que compete ajuizar sobre a justiça das justificações.
Mas o mais extraordinário nesta disposição não é ter sido formulada em 1985, quando surgiria já claramente desfasada, não só da conjuntura jurídica como da social; nem sequer o arbitraríssimo poder que confere aos médicos sobre os pacientes e as suas decisões (infelizmente, nada disso espanta); nem tão-pouco o não ter sido até hoje alvo de qualquer reparo ou protesto, quer por clínicos quer por outrem, ou ser única, em todo o código, já que em mais nenhum caso se estabelece a necessidade de incluir outras pessoas na relação entre médico e paciente adulto - note-se que nem no caso de diagnóstico de doença contagiosa e mortal o código permite o quebrar da confidencialidade. Não: o mais extraordinário é que esta disposição tão, digamos, especial é ignorada, por exemplo, pelo presidente do Colégio de Obstetrícia e Ginecologia da Ordem dos Médicos. "Confesso que não sabia que isso lá estava", diz Luís Graça, que certifica ter já feito "centenas de laqueações de trompas".
Quando são os próprios médicos a ignorar e desconsiderar o seu próprio código - quer por não o respeitarem na prática e na ética, quer por permitirem que tenha disposições ilegais e inconstitucionais, quer por se recusarem a debater e sanar essa desconformidade -, talvez não faça sentido que se escandalizem se outros lhes exigem, pelos meios ao dispor, que façam o que deve ser feito. É uma intromissão no foro privado da classe? Talvez. Mas até isso, a ser verdade, seria justiça poética.

29 outubro 2007

Pink a cor que não é moda !


Podia ser uma piada mas não é!

É a sério e acaba por não ter muita piada. O novo Centro Comercial "8ª Avenida" em S. João da Madeira conseguiu hoje chegar à primeira página por causa do parque de estacionamento: tem 4 lugares, pintados cor-de-rosa, "reservados a senhoras". Facto é que estes lugares têm dimensões de 5 x 3 metros, bem maiores do que os lugares "normais" de 5 x 2 metros e até mais generosos do que os espaços reservados a deficientes, grávidas e idosos.

Aconselha-se e recomenda-se que todos e todas que se dirijam a este espaço apresentem reclamações no respectivo livro deste espaço e que façam tudo possível para boicotar este espaço e estes espaços cor-de-rosa...

11 outubro 2007

Doris Lessing ganha o Prêmio Nobel de Literatura 2007


A escritora britânica Doris Lessing ganhou nesta quinta-feira o Nobel de Literatura 2007, um prémio que recompensa uma obra vasta, variada e marcada pelos cenários da África e a causa feminista. O júri descreveu Doris Lessing em um comunicado como "a narradora épica da experiência feminina, que, com cepticismo, ardor e uma força visionária sujeitou uma civilização dividida ao escrutínio".
Doris Lessing completará 88 anos no dia 22 de Outubro. Desde o início deste prémio em 1901, ela é a 11ª mulher a receber o Nobel de Literatura.
A escolha foi uma surpresa já que o nome de Lessing, com frequência citado como favorito no passado, já não aparecia actualmente nos círculos suecos.Nascida no território da Pérsia, actualmente Irão, em 1919, quando seu pai era capitão do Exército britânico, Doris May Taylor viveu parte da juventude na então Rodésia (atual Zimbábue), o que marcou sua obra. Ex-membro do Partido Comunista britânico, do qual se afastou em 1956 após a repressão da rebelião húngara, é comparada frequentemente com a francesa Simone de Beauvoir por suas ideias feministas.
"The golden notebook" ("O caderno dourado"), de 1962, sua obra-prima, conta a história de uma escritora de sucesso em forma de diário íntimo. Para o Comité Nobel, este livro "é uma obra pioneira do movimento feminista e pertence ao grupo de obras que mudaram a forma de ver as relações homem-mulher no século XX". A sua juventude, passada entre vários continentes, a inspirou a produzir sua primeira saga, escrita de 1952 a 1969: os cinco volumes de "Filhos da Violência". Entre outras de suas principais obras figuram "The Grass is Singing", "The good terrorist", sobre um grupo de revolucionários de extrema-esquerda, "Andando na Sombra", "Regresso para casa" (1957), onde denuncia o apartheid na África do Sul, "O quinto filho", "Debaixo da Minha Pele da Companhia das Letras" e "Andando na Sombra". A escritora sempre soube explorar todos os estilos, sem hesitar em uma incursão no mundo da ficção científica com os cinco volumes da série "Canopus em Argos: Arquivos", escrita entre 1979 e 1983, e entre os quais se destaca "Shikasta". Nesta saga, Lessing imagina o mundo depois de um conflito atómico e fala dos antagonismos entre os princípios feminino e masculino, assim como de colonialismo e de catástrofes ecológicas. Em 1984 Doris Lessing fez uma brincadeira com os meios literários ao lançar "Diário de uma boa vizinha" sob um pseudónimo (Jane Somers). Sua própria editora, que não conhecia a verdadeira identidade da autora, se recusou a publicar o livro.
Casada duas vezes e divorciada, a escritora afirma que "o matrimonio é um estado que não a convém". Doris Lessing vive actualmente na periferia de Londres e, nos últimos anos, se dedicou principalmente às obras de ficção científica.

FONTE: AFP

08 março 2007

Música do Dia.....

Antony and the Johnsons-You Are My Sister

Leitura do Dia.....


Para ler de A a Z, de Aborto a Voz. Leitura e consulta indispensável para quem estuda sobre o assunto, sobre quem quer saber mais um bocadinho e para todos e todas os/as curiosos/as.

Mais info e encomendas em Edições Afrontamento

Dia Internacional da Mulher


O Dia Internacional da Mulher é celebrado a 8 de Março de todos os anos. É um dia comemorativo para a celebração dos feitos económicos, políticos e sociais alcançados pela mulher.

A ideia da existência de um dia internacional da mulher foi inicialmente proposta na virada do século XX, durante o rápido processo de industrialização e expansão económica que levou aos protestos sobre as condições de trabalho. As mulheres empregadas em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um desses protestos em 8 de Março de 1857 em Nova Iorque, em que protestavam sobre as más condições de trabalho e reduzidos salários. As protestantes foram trancadas no interior da fábrica pelos patrões e pela polícia. Estes mesmos atearam fogo no prédio. 129 trabalhadoras morreram carbonizadas.

(Não deve ser confundido com o incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist, que também aconteceu em Nova Iorque, mas foi em 25 de Março de 1911, onde morreram 146 trabalhadoras).

Muitos outros protestos se seguíram nos anos seguintes ao episódio de 8 de Março, destacando-se um outro em 1908, onde 15.000 mulheres marcharam sobre a cidade de Nova Iorque exigindo a redução de horário, melhores salários, e o direito ao voto. Assim, o primeiro Dia Internacional da Mulher observou-se a 28 de Fevereiro de 1909 nos Estados Unidos da América após uma declaração do Partido Socialista da América. Em 1910, a primeira conferência internacional sobre a mulher ocorreu em Copenhague, dirigida pela Internacional Socialista, e o Dia Internacional da Mulher foi estabelecido. No ano seguinte, esse dia foi celebrado por mais de um milhão de pessoas na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça, no dia 19 de Março. No entanto, logo depois, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 140 costureiras; o número elevado de mortes foi atribuído às más condições de segurança do edifício. Além disto, ocorreram também manifestações pela Paz em toda a Europa nas vésperas da Primeira Guerra Mundial.

Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher serviram de estopinha para a Revolução russa de 1917. Depois da Revolução de Outubro, a feminista bolchevique Alexandra Kollontai persuadiu Lenin para torná-lo num dia oficial que, durante o período soviético permaneceu numa celebração da "heróica mulher trabalhadora". No entanto, o feriado rapidamente perderia a sua vertente política e tornar-se-ia numa ocasião em que os homens manifestavam a sua simpatia ou amor pelas mulheres da sua vida — um tanto semelhante a uma mistura dos feriados ocidentais Dia das Mães e Dia dos Namorados. O dia permanece como feriado oficial na Rússia (bem como na Bielorrússia, Macedônia, Moldávia e Ucrânia), e verifica-se pelas ofertas de prendas e flores dos homens às mulheres (quaisquer mulheres). Quando a Tchecoslováquia integrou o Bloco Soviético, esta celebração foi apoiada oficialmente e gradualmente transformada em paródia — ver MDŽ.

No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920, mas esmoreceu. Foi revitalizado pelo feminismo na década de 1960. Em 1975, designado como o Ano Internacional da Mulher, a Organização das Nações Unidas começou a patrocinar o Dia Internacional da Mulher.

Via Wikipédia - Dia Internacional da Mulher