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14 janeiro 2008

Remix your life... music and images, experience and live !


Criar algo de novo a partir de algo que já existia é a essência da cultura da remistura. E isso não acontece só na música, mas também no domínio das artes visuais. Um número cada vez maior de Image-Jockeys (IJs) que combinam e manipulam imagens e gráficos recorrendo a software como o Photoshop ou o Gimp desafia as convenções estéticas associadas ao circuito fechado das galerias e dos museus de arte contemporânea.
Um exemplo engenhoso das possibilidades criativas da recombinação de imagens é a montagem que podem ver em cima concebida por mjhaylor para um concurso de fotomontagens do site Worth1000 que convidou os participantes a remisturarem desenhos do artista gráfico holandês Maurits Cornelis Escher, conhecido pelas suas obras capazes de gerar efeitos de ilusão óptica no observador. Neste caso, o photoshopper decidiu recriar o auto-retrato Hand with Reflecting Sphere, uma litografia datada de 1935. O resultado é uma parábola visual da própria cultura da remistura, uma meta-metáfora da arte de copiar e colar. Esta Mão Com iPod Reflector ilustra um artigo interessante do Clarin.com sobre o assunto (roubado ao Remix Theory).

09 novembro 2007

Olhares sobre a cidade


TCAV/ESMAE/IPP apresentam:

Dia 10 de Novembro 2007
22.00 - cinema Passos Manuel

Filme Concerto: Lisboa, Crónica Anedótica de Leitão de Barros
Este filme concerto foi comissionado pelo Lisbon Village Festival, tendo tido a sua estreia no Fórum Lisboa dia 22 de Junho de 2007. A obra teve a sua estreia oficial em 1930 e oferece ao público uma visão da cidade que se respirava na altura. Apesar de este ser o mais autêntico documentário feito até hoje sobre a Capital é também uma fita onde aparecem os maiores actores da época do Teatro e do Cinema de Portugal (Nascimento Fernandes, Beatriz Costa, Vasco Santana, Eurico Braga, Chaby Pinheiro, Estevão Amarante, Josefina Silva, Eugénio Salvador, Adelina Abranches, Costinha, Alves da Cunha...). Todos eles interpretam personagens típicas de Lisboa, misturadas com as figurais reais do quotidiano da cidade. Esta convincente articulação de realidade e ficção, de linguagem documental e fantasia, fazem desta obra um caso sério de inovação. Lisboa, Crónica Anedótica faz-nos respirar e sentir o pulsar de capital portuguesa no final dos anos 20

Flak Ensemble
Flak (compositor de: Rádio Macau, Microaudiowaves...)

entrada 7,5 euros

30 outubro 2007

Festival Internacional de Cinema, Música e Multimédia regressa a Lisboa


De 8 a 14 de Novembro o, Número-Projecta – Festival Internacional de Cinema, Música e Multimédia regressa à capital. As várias exibições vão dividir-se pelo Centro Cultural O Século, Cinema S.Jorge e Cinema Quarteto.
Organizado pela Número-Arte E Cultura, em conjunto com a Videomorphose Número, a oitava edição do Número-Projecta tem como mote a promoção do multimédia e a cultura numérica, que associa os inseparáveis elementos da imagem e do som.
Durante uma semana, o festival dedicado à cultura VJ promove a actuação de alguns dos mais importantes DJ’s e VJ’s nacionais e internacionais–entre eles Cluster, Plagia, Sutekh e D-Fuse –, live-acts de nomes de culto da música electrónica portuguesa e mundial, filmes-concerto e espectáculos multimédia, mostras de vídeo-arte e ciclos de cinema de vanguarda.
Na secção de cinema há uma novidade: a categoria Produtora Nacional Convidada, que pretende mostrar a «aposta no trabalho independente e em estruturas inovadoras, que se adaptaram aos novos parâmetros de sistemas de produção e distribuição na indústria vídeo-cinematográfica». Vai ainda ser prestada homenagem à produtora Andar Filmes, que apresenta uma mostra ecléctica de cinco propostas de autores nacionais. A restante programação é muito diversificada. Há a secção Novo Cinema Espanhol, com uma selecção de alguns dos títulos mais significativos da produção independente espanhola; a Pink Films, com uma série de exemplos do cinema pink no Japão metropolitano; a retrospectiva, que este ano tem por objecto o videasta Tiago Pereira; e ainda a secção Festival Nacional Convidado, que exibe o que de melhor surgiu na edição deste ano do Festival Avanca.
Da programação Vídeo constam ainda as mostras O vídeo vai ao cinema, uma selecção de vídeo-arte portuguesa em estreita ligação com a arte e a linguagem cinematográficas, com alguns dos artistas mais sonantes da nova geração; o Projecto Heraclitus, e a antologia de obras do artista espanhol Manuel Saïz.

Os filmes do Número-Projecta 07’ são exibidos no cinema Quarteto de 8 a 14 de Novembro. Já os concertos, decorrem no Centro Cultural O Século, dia 8, e no Cinema S. Jorge nos dias 9 e 10.

Para mais infos visita o site oficial.

12 maio 2007

A Cultura DJ


Vale a pena ler o livro Áudio Culture do C. Cox e Daniel Warner, não sendo possível, este excerto é uma excelente peça de análise musical sobre o fenómeno dos Dj's e de como a sua importância no meio tem revolucionado a própria música.

O termo “Cultura DJ” surgiu nos anos 90 como um meio de descrever uma gama de músicas centradas na figura do DJ como artista: disco, HipHop, House, Techno, drum ‘n’ bass e outras formas musicais. De um modo mais amplo, o termo descreve o domínio musical único tornado possível pela cultura da gravação, uma cultura na qual música e som circulam como uma rede de entidades gravadas, separadas da especificidade do tempo, lugar e autoria, tudo disponível para tornar-se a matéria prima da arte do DJ.
Como um conjunto de estilos musicais, a cultura DJ é quintessencialmente pós-moderna, surgindo nos anos 70 com o disco mix, as distorções do dub reggae e o nascimento do HipHop. Mas no sentido mais amplo, suas raízes são muito mais profundas: encontram-se na história do modernismo do século XX. No início dos anos 20, o escultor Bauhaus, fotógrafo e pintor László Moholy-Nagy já tinha imaginado o détournement do toca-discos, sua transformação de um instrumento de reprodução musical em um instrumento musical em si mesmo. Nos anos 30, John Cage, Paul Hindemith e Ernst Toch começaram a dar vida às visões de Moholy-Nagy. Em seu primeiro estudo para o gramofone, “Imaginary Landscape, No. 1”, Cage manipulava toca-discos de velocidades variáveis e gravações de estúdio a fim de produzir uma mistura fantasmagórica de sirenes, sons de cordas de piano e barulho de percussão. Pierre Schaeffer é, sem dúvida, o padrinho da composição por samplers. Trabalhando com discos de fonógrafo nos anos 40, as composições de Schaeffer eram formadas por pedacinhos de sons editados. Através de seus loops rítmicos e justa posições de assobios de trem, sons de freios e sons mecânicos de metais batendo uns nos outros, a primeira composição de Schaeffer de musique concrète “Étude aux chemins de fer” (Estudo sobre a ferrovia), antecipa o HipHop e a música electrónica. No início dos anos 60, William S. Burroughs tornou-se um DJ do mundo, ao usar técnicas de manipulação de fita para cortar, colar e dividir sua própria voz em camadas.
A partir de Schaeffer, a Cultura DJ tem trabalhado com dois conceitos básicos: cortar e o mix. Gravar é cortar, separar o significador sônico (a amostra ou sample) do seu contexto e significado original, de modo que fique livre para ser realizado de outra maneira. O mix é o ato de reinscrever, colocar a amostra solta numa nova cadeia de significação. O mix é o momento pós-moderno, no qual os sons mais diversos podem ser colados juntos num contínuo. É exemplificado por músicas contínuas: disco, House, Techno. Mas o mix é possível por causa do corte, aquele momento modernista no qual o som é removido e pode tornar-se algo mais, ou é quebrado de modo que possa “passear” ou “tropeçar” em volta de um pulso (beat). Suas formas são o HipHop (particularmente a manipulação dos toca-discos), dub, drum ‘n’ bass e experimentalismos contemporâneos por DJs como Christian Marclay, Philip Jeck, Marina Rosenfeld e Erik M.
A Cultura DJ também descreve uma nova modalidade de história e memória auditiva. A história musical não é mais uma figura de continuidade linear que, idealmente, poderia ser invocada em sua totalidade. Pelo contrário, a história musical torna-se uma rede de segmentos móveis disponíveis a qualquer momento para serem inscritos e reinscritos em novas linhas, textos e mixes. Em suma, a história musical não é mais um rolo análogo, mas acesso digital e aleatório.
“A batalha pelo futuro imediato da música será travada através do meio da gravação” observou Chris Cutler num texto que anteviu a controvérsia Napster, décadas antes que esta acontecesse. Escrevendo em 1982 a respeito da cultura da gravação em geral, o artigo de Cutler pode ser lido como um manifesto da Cultura DJ. Para Cutler, o cortar e o mix tornam possível uma música profundamente igualitária. Não apenas o mundo sonoro total torna-se disponível para o uso musical; Cutler também imagina que a cultura da gravação permite as condições para uma nova música folclórica: um processo de produção musical coletivo e sem autoria, que é fluido e está sempre em mutação. Para Burroughs, a cultura da gravação não é apenas politicamente liberalizante, mas também é de resistência política. Ela oferece uma maneira de ouvir criticamente as vozes da cultura dominante e oferece meios para alterá-la e subverter significados estabelecidos. Hoje, pode-se encontrar quem defenda as duas posições políticas: por um lado, na imaginação liberatória da cultura rave; e por outro, nas práticas antinômicas de Negativland e John Oswald. Qualquer que seja a posição, a Cultura DJ claramente marca um espaço cultural fundamentalmente novo. Ela alterou a própria natureza da produção musical, abriu novos canais para a disseminação da música, e activou novos modos de ouvir. Não é de todo surpreendente, então, que a Cultura DJ incentivou novas práticas sociais e opera nas linhas de frente da política cultural.